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18 de mai de 2015

A Morte de Sarai - J. A. Redmerski


Livro: A Morte de Sarai
Autor (a): J. A. Redmerski
Editora: Suma de Letras
Páginas: 255
Primeira frase: "Já faz nove anos desde que vi um americano aqui pela última vez."

Sabe o que eu mais gosto em relação à literatura? Quando uma trama surpreende e supera minhas expectativas inicias. Aquele momento em que você pega um livro na mão e pensa que ele é razoável, mas o bendito acaba se revelando muito bom é a melhor coisa! Foi o que aconteceu com A Morte de Sarai, livro que faz parte da série Na Companhia de Assassinos, da americana J. A. Redmerski (autora também de Entre o Agora e o Nunca e Entre o Agora e o Sempre). Enquanto lia, me senti na história, fugindo pelos desertos mexicanos, sendo perseguida por traficantes de drogas, uma coisa meio série policial americana com poeira, carros e tiros pra todo lado. Bem emocionante! 

No livro, Sarai é uma adolescente americana que, aos quatorze anos, foi levada para o México pela mãe e acabou em cativeiro, controlada por um poderoso traficante de drogas que desenvolveu uma obsessão pela garota e a manteve presa a ele e a seus caprichos. Depois de nove anos sofrendo abusos físicos e emocionais, Sarai consegue fugir no carro de um americano chamado Victor, um assassino de aluguel que está lá para negociar um trabalho com Javier, o captor dela.

A princípio, a primeira ideia de Victor é se livrar de Sarai e usá-la em seu negócio, mas ele reconhece nela uma vítima destruída por dentro que não merece voltar para Javier e ajuda a jovem. A partir daí, a história dos dois se desenvolve em meio à fuga, assassinatos e perseguições. Victor tem um trabalho e é pago para fazê-lo, mas se vê cada vez mais envolvido pela história de Sarai e os dois acabam desenvolvendo uma ligação. Ambos vieram de realidades cheias de morte e violência, e Victor percebe que, depois de tudo que Sarai presenciou, ela nunca conseguirá viver uma vida simples, mas tampouco quer que ela se envolva no tipo de vida que ele leva.
"Sou disciplina. Sarai é raiva."
Sarai é uma personagem bastante complexa e de quem eu gostei bastante. Ela sofreu traumas e abusos durante toda a adolescência e isso moldou a sua personalidade. Depois de tudo que viu no cativeiro, Sarai não sente empatia e dor da mesma forma que as outras pessoas. É como se ela estivesse anestesiada para tudo e isso faz com que ela crie uma ligação com Victor, que é um assassino, ou seja, alguém de quem ela deveria ter medo, mas não tem. 
"Fico surpresa toda vez que o desafio, por pouco que seja. Porque, por dentro, estou completamente apavorada com o que ele pode fazer comigo."
A Sarai de quatorze anos não existe mais aos vinte e três. Ela foi destruída ao longo dos anos e isso dá sentido ao título A Morte de Sarai. Não a morte física (gente, tava doida de medo que a autora fosse literalmente matar a Sarai!), mas a morte do que ela foi um dia e o nascimento de uma nova personalidade, Izabel, codinome que Victor lhe dá durante a fuga.

Em relação a ele, Victor tem mais de trinta anos e eu gostei disso também pois deu outra dimensão para o personagem. Ele é mais velho, mais experiente e mais controlado que Sarai e, mesmo assim, acaba totalmente envolvido por ela, física e emocionalmente. E sim, há cenas super hots entre eles e eu preciso MUITO DO PRÓXIMO LIVRO! *pula* Estou shippando, gente. Ou seja, né? 
"Ele é alinhado, embora tenha uma sombra de barba desenhada no rosto. Tem maçãs do rosto salientes e olhos verde-azulados penetrantes que parecem conter tudo sem revelar nada. E é bem alto, magro e assustador. Acho notável como ele me apavora mais do que Javier jamais me apavorou, mesmo sem precisar dizer uma palavra."

A Morte de Sarai foi publicado aqui pela Suma de Letras e “Surviving Izabel”, próximo da lista, deve chegar às livrarias em julho deste ano. Vou aguardar ansiosa! Gostei da escrita da autora e de ela situar a história fora do eixo "adolescência" (eu estava numa maré adolescência e acabei enjoadinha. Esse livro deu uma sacudida nas coisas! ). Os capítulos são intercalados pelo POV da Sarai e do Victor então não cansa e a trama é mais ágil. E os POVs dele são: ai senhor. hahahaha

Recomendado ao infinito e além ;)

(Essa resenha foi escrita por mim e publicada também no Foforks ;) )