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2 de abr de 2014

Tríptico- Karin Slaughter

Vocês sabem o que é um Tríptico? "Tríptico" é o nome que se dá a um conjunto de  três pinturas, em que os dois exteriores podem se dobrar sobre o do meio. Comuns principalmente na Renascença, as pinturas geralmente formam uma única imagem, e as partes separadas podem não fazer muito sentido, dependendo do artista.  Tríptico também é o nome que a Karin Slaughter deu ao primeiro romance de sua série policial Atlanta, protagonizada pelo agente do FBI Will Trent e tem tudo a ver com o sentido real da palavra: é uma história que se divide em três imagens interligadas e que somente juntas fazem sentido. 

O livro vai nos apresentar, em tempos diferentes, três personagens: o detetive Michael Ormewood, o agente Will Trent e o ex-condenado John Shelley. O que os une? Garotas que são encontradas mortas, com suas línguas arrancadas. Michael, um ex-militar, agora detetive, é chamado para cuidar do caso de uma prostituta que foi assassinada em seu apartamento e que teve a língua arrancada pelo agressor. Will Trent, do FBI, aparece logo depois, por achar que o crime tem alguma ligação com casos parecidos que já averiguou. John Shelley, por sua vez, nos é apresentado por último, um ex-condenado que passou metade de sua vida atrás das grades, acusado de assassinato e estupro. Aos poucos, Karin vai nos dando um vislumbre da vida de cada um porque eles são o tríptico: Michael, Will e John são as três peças que juntas, formarão um conjunto e darão fim ao mistério das mulheres assassinadas. 

O que eu gostei: Uma das coisas interessantes em Tríptico, é que Karin nos dá o assassino logo de cara. Ele não é um mistério a ser resolvido pois o leitor consegue visualizá-lo com poucas pistas. O objetivo da autora não é que  a gente descubra o serial killer e sim, que acompanhemos o caminho intrincado que vai chegar até ele. É agoniante em alguns momentos saber que alguém que conhecemos é o assassino e as pessoas ao redor dele não fazem a menor ideia! Outra coisa que eu adorei foi o papel da detetive Angie Polanski, personagem secundário que acaba se tornando uma das peças chave para o desenvolvimento da história. *COMO EU AMO DETETIVES MULHERES EM LIVROSSSSS (e séries, e filmes, e tudo)*


 Angie trabalha no Departamento de Combate a Prostituição e tem um relacionamento conturbado com o Agente Will. Ambos, quando criança, estiveram nos mesmos orfanatos e ainda carregam na mente e no corpo as marcas do abuso e do descaso. Ela é durona, mas justa, e acaba roubando a cena em vários momentos! Aliás, por mim, ela poderia ser protagonista de uma série só dela, pois valeria muito a pena ler! 

Já Will, nosso agente do FBI é outro caso interessante. Ele possui dislexia, então seu caminho até chegar ao cargo é um mistério. Usando de truques e muita habilidade, ele esconde de todos (menos de Angie) seu problema e tenta viver como se isso não fosse importante. Sua infância e adolescência traumáticas também conferem ao personagem um ar de sofrimento que se reflete em sua personalidade. Will é calado, pensativo e muito inteligente. É o tipo de anti-heroi que desperta nossa compaixão, mas que não quer ser olhado com pena.

Também adorei  a capa. Ela passa uma imagem de desespero através das imagens das correntes e do pulso amarrado que realmente reflete a agonia que  existe dentro do livro. Aliás, a Record é uma das minhas editoras favoritas em relação a capas pois elas são sempre bem feitinhas.

O que eu gostei mais ou menos: fiquei esperando um detalhamento maior da vida das vítimas. Não sei se é porque isso geralmente aparece em outros livros, e nos aproxima da história, mas eu queria saber mais sobre as meninas/mulheres e de que forma o assassino chegou até elas.

Vale a pena: Sim. Eu conheci a escrita da Karin há alguns anos, quando li "Cega" outro romance policial da autora e lembro que fiquei muito impressionada. Karin  sabe exatamente o tom que deve ser usado para levar uma história de mistério e morte adiante e sua escrita, pra mim, se aproxima muito da escrita da diva Tess Gerritsen. Em suas histórias, ela é crua, direta e realista, trazendo o que há de pior em um crime e dosando muito bem os toques de realidade e a romantização. Só sinto que apenas quatro livros dela foram publicados no Brasil, pois ela tem potencial para se tornar um dos melhores nomes da literatura policial da atualidade.

Tríptico é um livro bem delineado. Tudo se encaixa no final, e ainda fica o gostinho de quero mais. Eu adorei Will e sua personalidade problemática e fico feliz de saber que a série é dele *_* Pra quem, como eu, amar esse livro, a Editora Record já lançou o segundo volume da Trilogia *ABENÇOA SENHOR* que se chama Fissura.

Título: Tríptico
Editora: Record
Páginas: 389
Arabescos: 5/5