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21 de mar de 2014

A Desconstrução de Mara Dyer - Michelle Hodkin


Nos últimos tempos, tenho lido vários livros onde as mulheres são guerreiras, perseguidoras de demônios, soldados, loucas, psíquicas, sobrenaturais.... é uma situação nova na literatura, onde elas deixam de seguir certos padrões e passam a ser incríveis por serem diferentes. Nestas novas tramas, geralmente, elas estão presas em mundos destruídos, ou dentro da própria mente alucinada. Elas lutam, matam, perdem tudo, se reerguem do nada - algumas até morrem - geralmente buscando encontrar a si mesmas em um mundo de caos e destruição (vide Jogos Vorazes, Divergente, Estilhaça-me, Delírio...).  EU AMO DEMAIS ESSE TIPO DE PERSONAGEM e acho que os autores podem continuar criando essas lindezas.

Semana passada tive a oportunidade de ler mais um livro desse tipo e quero compartilhar com vocês =D.  Por indicação da Barbarela,  que me enviou um monte de quotes destruidoras,  comprei A Descontrução de Mara Dyer e comecei a ler com uma expectativa tão grande, que devorei quase 200 páginas assim que o livro chegou nas minhas mãos. É bom? É. Muito. 

Mara Dyer é uma sobrevivente. Aos 17 anos, ela acorda no hospital e descobre que é a única que saiu ilesa de um desabamento que matou 3 de seus amigos.  O problema é que, apesar de ter saído sem sequelas físicas do acidente, o mesmo não aconteceu com a sua mente: Mara passa a ter pesadelos e alucinações visuais e é diagnosticada com Transtorno de Estresse Pós Traumático. Para evitar a internação, ela e a família se mudam para a Flórida em busca de um pouco de tranquilidade.

Mas tranquilidade e normalidade é a última coisa que Mara vai ter dai em diante. Destoando das figuras de sua nova escola, a Academia Croyden de Artes e Ciências, a garota precisa enfrentar a animosidade dos novos colegas e também a própria mente, que continua lhe pregando peças. Pra entender o tamanho do drama de Mara, logo na primeira aula ela tem uma alucinação na frente de todos os colegas o que faz dela, imediatamente um alvo. Ela é a esquisita. Ela é a louca. 

"Rachaduras apareceram nas paredes da sala de aula conforme umas vinte cabeças se voltaram na minha direção. As fissuras dispararam para cima, cada vez mais altas, até que o teto começou a desabar. Minha garganta ficou seca. Ninguém disse nada, muito embora a sala estivesse coberta de poeira, muito embora eu achasse que fosse sufocar.  
Porque não estava acontecendo com mais ninguém. Só comigo. "

O que eu amei: Mara tem uma personalidade muito inquietante que me deixou super vidrada no livro, principalmente porque ela passa a história inteira lutando contra a própria mente e tentando entender o que é verdade e o que é loucura. Além disso, ela também é irritadiça, dona de uma língua rápida e tem um humor ácido em relação a tudo e todos. Ela até chama Noah de "escroto-mor". Gente, como não gostar? hahaha
Apesar de amar a família, o acidente e o Transtorno fazem com que Mara se afaste um pouco da realidade da vida das pessoas, sempre se mantendo nas 'beiradas', muito mais uma observadora  do que uma pessoa ativa. Se ela pode passar despercebida, melhor. Se ela aparecer, precisa rezar pra que sua mente não lhe traia. Aliás, Mara Dyer não é nem seu nome de verdade. Como descobrimos no início do livro, esse é o pseudônimo que ela usa pra contar a sua própria história. Apesar de passarmos 372 páginas com ela, no final, o leitor não conhece a Mara de verdade. Ela é uma incógnita. Ela é um rosto vazio. 

" Sei que ter um nome falso é estranho, mas confie em mim: é a coisa mais normal a respeito da minha vida no momento."
O que eu gostei mais ou menos: No meio de toda a confusão na vida de Mara, aparece Noah Shaw, aluno da Academia e que vai se aproximar dela apesar de sua aparente loucura. Ok. Noah.  Quando eu comecei a ler, já tinha uma expectativa monstruosa sobre ele e me preparei para amá-lo acima de todas as coisas e tal. E eu gostei do Noah. Gostei mesmo. Mas não criei - ainda - um elo com o personagem.
Essa coisa da expectativa é uma coisa traidora. 

Noah é descrito como lindo de morrer, rico de morrer, sexy de morrer etc, etc, etc. É um britânico deuso. Até aí tudo bem, essa descrição muito me agrada hahaha mas alguns detalhes na personalidade dele me incomodaram um pouco. É aquela coisa de 'misterioso', sempre surgindo pelos cantos, parecendo saber de tudo, que me deixa meio apreensiva. No caso de Noah  ele era tão tudo que eu só queria um defeito, só unzinho pra poder sentir que ele era humano. Ele também tem alguns momentos meio violentos que  me fizeram lembrar do Travis Maddox, de Belo Desastre, e se existe um personagem que eu odeio nessa vida é o Travis ¬¬ Sei que, em se tratando de Noah, essa não é uma opinião muito popular mas foi o que senti nesse primeiro livro. Por outro lado, gostei da atenção dele com a Mara, a proteção, as piadinhas e o SOTAQUE PELAMOR DE DEOS!!!! (que a gente não ouve mas imagina né...) 

O que eu não gostei: Noah ter um mistério. Não sei onde tá escrito que em todo livro todo mundo tem que ter um mistério. Um grande segredo. Um passado meio nebuloso. O mistério de Noah é desvendado no final do livro e eu fique: mas qual a necessidade? Caiu meio de paraquedas, com uma explicação rápida. Se tivesse sido trabalhado desde o início do livro até teria sido interessante, mas ficou parecendo jogadinha de final de trama.  Novamente: não é a opinião mais popular e eu espero que no próximo livro, faça mais sentido. 

Outra coisa: na página 209 tem uma cena  igual a uma outra de Crepúsculo. Mas igual mesmo. Leiam e depois venham me dizer se não notaram a semelhança. 

Capa: tá aí uma coisa apaixonante. A capa. Gostei da imagem, da cor, das letras...tudo. Gostei do sentido, Mara estar a deriva, com Noah a segurando e salvando (ou seria posse???). O título também é sugestivo. Desconstrução é uma decomposição de partes, um desmembramento de estruturas, o que é o que acontece com Mara Dyer neste livro: ela precisa despir a mente, camada por camada, até chegar a verdade sobre si mesma. 

Em resumo: amei esse livro. Os pontos positivos são bem mais fortes que os negativos (acho que negativo nem é a palavra certa, mas tudo bem) e a trama tem algumas coisas novas. Mara é cativante e mal posso esperar pra saber o que vai ser da vida dela depois do final chocante de A Desconstrução. O enredo é rápido e escrita da Michelle flui que é uma beleza! A maneira como ela descreve a mente de Mara te faz questionar se o que você está lendo é o real ou o imaginário! Não ter certeza da leitura é uma coisa beeem interessante. 

 Booktrailer do livro:


Título: A Descontrução de Mara Dyer 
Editora: Galera Record
Páginas:  375
Arabescos: 4/5