Páginas

1 de mar de 2014

O Trono de Vidro - Sarah J. Maas

Vou começar esse post com uma confissão: eu comprei esse livro pela capa. SIM, SIM, CONFESSO, CONFESSO. Há algum tempo, quando vi a capa de O Trono de Vidro na livraria, quase caí pra trás. Foi amor a primeira vista. Foi como ser acertado pela flecha de Eros. E como era amor, jurei que um dia voltaria para busca-lo. E voltei, comprei, li e adorei! Maaaas, não pensem que só a capa é bacana. A história toda é uma delícia e o livro vale a pena como um todo. 

O Trono de Vidro é o primeiro livro de uma série de seis e mais um prequel  (ai meu bolso), escrito pela americana Sarah J. Maas e, segundo a biografia da autora, demorou dez anos pra ser concluído. A história se passa em uma terra  fictícia, chamada Eriléia, e tem como protagonista Celaena Sardothien uma moça de 18 anos que carrega o título de Assassina de Adarlan, devido a sua fama mortal. Apesar de toda sua habilidade, um dia a jovem é traída e acaba presa nas minas de sal de Adarlan, tendo que fazer trabalhos forçados. A trama toda começa quando Celaena é tirada do local e levada até o Príncipe Dorian, que tem uma proposta  para a jovem: ela deve ser a sua campeã em uma competição contra outros 23 assassinos e ladrões. Se vencer, ela deverá trabalhar para o rei por mais quatro anos e depois terá sua liberdade definitiva. Sem alternativa, Celaena aceita e é escoltada até o Castelo de Vidro, residência da nobreza, onde a competição acontecerá.

A partir daí, posso dizer que a trama vira uma boa  mistura de Game of Thrones e Jogos Vorazes com Celaena  passando por diversas provas eliminatórias, que vão preparando-a para o duelo final, e tendo ainda que se esquivar de intrigas palacianas, envenenamentos e assassinatos: os campeões passam a serem caçados um por um e mortos de forma horrível e misteriosa.  Além de toda essa complicação, a garota se vê envolvida com o príncipe Dorian e desperta, sem querer, o interesse de seu treinador, o capitão da guarda, Chaol Westfall. 
"Sou Celaena Sardothien, Assassina de Adarlan. Se estes homens soubessem quem sou, parariam de rir. Sou Celaena Sardothien. Vencerei. Não sentirei medo."
Celaena é um personagem interessante. Primeiramente, ela tem esse nome estranho que não entrou na minha cabeça (juro pra vocês que meu cérebro registrou "Caleana" e não desapegou), e depois a sua personalidade é meio ambígua e isso mexeu com a minha cabeça. Celaena é a Assassina de Adarlan. Ela é badass, ela é incrível, ela é poderosa, fodona, indestrutível, bonita. A descrição da aparência dela é bem parecida com a da Daenerys de GOT e o leitor cria rápido a imagem na cabeça. Por outro lado, depois que passa a viver na corte, Celaena vira uma menina que ama vestidos, é uma leitora inveterada, gosta de passear, jogar conversa fora e flertar com caras bonitos como o Príncipe. No começo isso me confundiu. Não parecia ser a mesma pessoa. Depois, acabei me perguntando se não foi isso  que a autora quis passar: que apesar da fama, Celaena era uma menina ainda. Uma garota que perdeu sua juventude e todas as etapas dela e que de repente, se vê dentro de um mundo inteiramente novo. Essa dualidade pode incomodar algum leitor, mas acho que pensar nessa coisa da 'garota interior' da Celaena, faz sentido. 
"Ela era uma lamina afiada pelo rei dos Assassinos para o próprio lucro. Era um animal adormecido - um felino da montanha ou um dragão - e as marcas de poder da jovem estavam por toda a parte."
Dorian e Chaol também são interessantes. Dorian cresceu sob a sombra do pai poderoso e terrível e nunca foi ouvido por ele. O príncipe possui um senso de justiça apurado e todas as suas conversas com Celaena são uma delicia. Shippei os dois desde o início e me apaixonei pela sua personalidade. Já Chaol é um mistério e até o final do livro quase nada é revelado sobre o Capitão. Ele é calado, reservado e extremamente leal à Dorian e me lembrou muito o Dimitri de Academia de Vampiros. Pelo que entendi, o desenvolvimento dele acontece mais adiante. 

Se você for um leitor chato, vai notar, como eu, que o livro possui algumas incongruências como o fato de Celaena ser a pessoa mais perigosa do mundo, mas de repente poder ficar andando pelo castelo, indo brincar na sala de jogos ou ler na Biblioteca ou ainda o fato de Eriléia ser um mundo fictício, mas seus deuses e crenças serem celtas. Também martelou na minha cabeça o fato de Sarah se referir à Celaena como 'assassina' vinte vezes num  mesmo parágrafo. No entanto, isso é detalhe dentro de uma história tão bacana. Meu veredicto é de que o livro vale a pena. Não só pela capa bonita, mas porque o plot é bem interessante e a série promete. Eu andei lendo alguns spoilers do próximo livro e a trama vai ficar ainda melhor! Então, se esse é seu tipo de leitura e  você gosta de protagonistas que chutam o matam antes e perguntam depois, (=D)  tenho certeza de que vai amar O Trono de Vidro como eu amei!

Título: O Trono de Vidro
Editora: Record
Páginas: 390
Arabescos: 4/5