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28 de dez de 2014

Meus 10 livros favoritos de 2014- Parte 1

Com o ano terminando, fiz uma retrospectiva das minhas leituras e resolvi elencar os 10 livros que me marcaram em 2014. E foi difícil, viu!!
Bom, depois de fazer e refazer a lista umas vinte vezes, cheguei a um resultado que vou trazer em dois posts pra vocês. Neste post vou listar do 6 ao 10, e no próximo, trago os cinco campeões!

Então, tchan tchan rã rãããm, here we go:


10. Flores na Tempestade- Laura Kinsale
Bom, o meu décimo livro favorito do ano ainda não foi publicado no Brasil, e eu li a versão de Portugal. Já havia visto algumas resenhas dizendo que este era um dos melhores romances de época publicados nos ultimos tempos e fiquei muuuuito curiosa pra conferir. E não me decepcionei, ele me emocionou muito! Flores na Tempestade conta a história de Christian e Maddy, ele um cobiçado solteirão inglês e ela uma moça simples e religiosa, que vive com o pai, um matemático brilhante. Christian vive uma vida de luxos e gastos até o dia em que sofre um derrame e perde a capacidade de fala e parte dos movimentos e, como a doença não era bem conhecida no século XIX, ele é internado num sanatório, pois sua família acha que ele está demente. Maddy o encontra ali e, acaba ficando resonsável por cuidá-lo. Com o tempo, ela percebe que Chistian não está louco, mas sim preso dentro da sua própria cabeça, lutando para se expressar num mundo que não o entende. Aos poucos, ela acaba se tornado a única pessoa a entendê-lo e com a sua ajuda, Christian começa a sair da escuridão da sua condição, e passa a recobrar os movimentos e a capacidade de fala. Há compreensão, amor e desejo entre eles e a maneira com que os dois vão buscando formas de se entender é linda. É um romance intenso que me fez chorar e rir como um livro de época não fazia há tempo e acabou se tornando um dos meus favoritos.  

9- Feita de Fumaça e Osso- Laini Taylor
Esse livro! Lindo, poético, cheio de doçura e fantasia. Apaixonante! Quem quiser conferir, escrevi uma resenha dele aqui no Arabesque há alguns meses em que mostrei o quanto ele mexeu comigo, então não vou me estender muito. Em resumo: Karou é uma garota de cabelo azul, que viaja pelo mundo comprando dentes de todos os tipos, que troca por desejos. Sua única família são quimeras, feras que a criaram desde que era bebê e ela pouco sabe sobre suas origens ou o destino dos dentes que traz para Brimstone. Até o dia em que o caminho de Karou cruza com o de Akiva, um anjo, e ela se vê dentro de uma guerra entre seres celestiais e quimeras que existe há muito tempo e do qual ela é peça chave. Feita de Fumaça e Osso é MÁGICO e a mitologia criada por Laini é bastante original. Eu simplesmente queria pegar Akiva e Karou colocar dentro de um potinho e guardar pra mim, de tão lindos que eles são *-* 

8- Mansfield Park- Jane Austen
Puxa vida, esse livro. O que eu digo desse livro? Bom, quem já leu Jane Austen, (provavelmente Pride and Prejudice), sabe que a autora tem um tom ácido e bem humorado de criticar a sociedade em que viveu, mas no fim, tudo são rosas e todos vivem felizes, garotas casam com homens de boa fortuna e mães ficam felizes com o destino das filhas. Mas em Mansfield Park há algo mais. Há uma dureza, uma infelicidade e uma crítica mais incisiva da parte de Jane em relação a vida das mulheres daquela época. Como eu disse em resenha recente, não é um livro feliz mas um retrato fiel de desejos reprimidos e vontades que eram caladas simplesmente por mulheres serem mulheres e não poderem usufruir da mesma liberdade que os homens. Foi o livro que eu mais demorei pra ler da Jane, mas um dos mais fortes. Algumas pessoas não gostam dele, e eu entendo totalmente, porque ele é agridoce e não tenho certeza se a felicidade alcançada ao final por alguns personagens era real.

7- Eleanor & Park- Rainbow Rowell
ESSE LIVRO-AMOR! SOCORRO! Primeiro livro da Rainbow que li, é óbvio que ele estaria nesta lista. Esse livro fala do primeiro amor, das primeiras dores, da dificuldade e da delicia que é encontrar alguém que é mais você do que você mesmo. Park, um garoto descendente de coreanos é apaixonado por música e quadrinhos, enquanto Eleanor vem de uma família problemática, é ruiva, deslocada e se veste de forma esquisita. Quando os dois se encontram, todas as diferenças somam e nasce um amor bonito, no banco do ônibus escolar, em meio a canções do The Cure e quadrinhos dos X-Men. Esse livro deveria ser leitura obrigatória pra todo mundo, porque é de uma boniteza e sensibilidade sem tamanho. 



6- Sombras e Ossos- Leigh Bardugo
Também já resenhado aqui no Arabesque, Sombra e Ossos me conquistou pela capa e me ganhou definitivamente com a história incrível, que nos remete à Rússia dos Czares (mas com muita magia, criaturas perigosas e O Darkling). Alina é uma órfã de guerra que, num momento de pressão acaba revelando possuir um poder incrível, que a torna uma raridade. Cobiçada por este poder, ela é levada à Corte Real, onde passa a integrar os Grishas, uma elite mágica, liderada pelo poderoso Darkling. Ao lado de Alina, o Darkling pretende destruir a Dobra das Sombras (um lugar tomado pela escuridão e cheio de predadores) por isso ela precisa desenvolver seus poderes o mais rápido possível.
Eu amei cada linha desse livro e ele me deixou muito empolgada para o segundo volume, “Sol e Tormenta”, que já está em meu poder há meses. No entanto,acabei lendo um spoiler que me deixou tão triste sobre o último livro que tô protelando pra terminar a série. Mas, a despeito do possível final, esse primeiro livro é incrível e MERECE ESTAR NA ESTANTE DE TODO MUNDO. Comprem já!

Então, esses foram 5 da minha listinha. Em breve, postarei os outros.
E ai? concordam com lista? Quais foram os seus favoritos?






9 de dez de 2014

A viajante do tempo e os garotos corvo.

Ah, dezembro... mês do Natal, presentes...mês de ficar sem dinheiro aproveitando as promoções de livros.  
Adoro dezembro!
Também é o mês mais corrido no meu trabalho e na vida num geral, então, não nego que estou um pouco aérea do blog e das resenhas. Mas, pra compensar o atraso de postagens, vou aproveitar pra falar de dois livros maravilhosos que li neste último mês e que eu acho que, PRECISAM SER COMPARTILHADOS. 

Belle, the bookworm, aprova as duas indicações! 



1- Outlander- A Viajante do Tempo. Esse é aquele tipo de livro que escolhe você e não o contrário. Eu passei anos olhando pra ele na biblioteca da Universidade, sem nunca dar uma chance (mas estranhamente, ele vivia caindo nas minhas mãos.). Li a sinopse uma vez e pensei "quem sabe um dia", mas não levei isso muito a sério. ATÉ QUE, este ano, o livro virou série da STARZ, e eu me interessei pela sinopse, amei a caracterização, fui assistir e... MEU DEUS QUE COISA MARAVILHOSA, QUE HISTÓRIA INCRÍVEL, ONDE EU TAVA COM A CABEÇA QUANDO RELEGUEI ESSE LIVRO AO ESQUECIMENTO????? Bom, erros estão aí para serem reparados e eu comprei o livro e li em uma semaninha.
E  preciso dizer: É FANTÁSTICO. 
De autoria de Diana Gabaldon, Outlander nos conta a história de Claire Beauchamp Randall, uma enfermeira que, após a Segunda Guerra Mundial, parte em uma viagem com o marido, amante de história,  para a Escócia em uma segunda lua-de-mel. Lá, Claire encontra um misterioso circulo de pedras, Craigh na Dun, e ao tocá-las, ela acaba viajando no tempo e indo parar no ano de 1743, em meio aos levantes jacobitas. Sem compreender direito como aquilo poderia ter acontecido, Claire se vê envolta nas intrigas de clãs e estranhos hábitos da cultura escocesa do século XVIII. Utilizando-se de seus conhecimentos medicinais, ela acaba se tornando útil ao clã Mackenzie e termina por se envolver com o bravo Jamie Fraser. Com o coração dividido entre o homem que ela deixou no futuro e o homem que a conquistou no passado, Claire precisa decidir se voltará ou não ao seu próprio tempo, enquanto enfrenta perigos ao lado do clã que a acolheu.
Diana é ótima e super criativa. Eu acho tramas com viagem no tempo complicadas de se sustentarem, mas ela criou todo um motivo e encheu de magia o suficiente pra que ficasse plausível. Os personagens são cativantes e Claire é sem dúvida, uma das minhas protagonistas favoritas. Tendo passado pelos horrores da Guerra, ela é forte, determinada e não aceita ser comandada ou subjugada. Os conflitos entre a vida que Claire levava e a vida que precisa se acostumar são uma das coisas mais interessantes do livro. Outro personagem apaixonante é o Jamie HE HE HE (nada direi sobre Jamie. Quem ler vai chegar as suas próprias conclusões). 
O livro tem 800 páginas, mas não se assuste, porque o ritmo é tão bom, que a leitura flui bem rapidinho. E, se você gostar da história, precisa estar preparado, pois o segundo volume, A Libélula no Âmbar, tem lindas 900 páginas... Gostar de escrever a menina Diana, né? 



2- Os Garotos Corvo- A Saga dos Corvos. Acabei lendo esse livro por causa do Tumblr. Volta  e meia, aparecia na minha dash alguma postagem sobre os Raven Boys (Richard Gansey e Adam Parrish, mais precisamente) e isso foi aguçando a minha curiosidade, até que resolvi comprar e conferir. E ESSE LIVRO É TÃO BOM, MEU DEUS DO CÉU! 
O livro enaltece o protagonismo de Blue Sargent, uma garota nascida em uma família de médiuns, mas que acabou não desenvolvendo este dom. No entanto, fica bem claro, ao desenrolar da leitura, que Blue não é a "protagonista chefe" e que, na verdade, mais de uma pessoa leva a trama adiante e eu estou falando dos garotos corvo. Richard Gansey, Adam Parrish, Ronan Lynch e Noah Czerny, estudantes da Academia Aglionby, chamados de garotos corvo por ostentarem em seus uniformes a figura do pássaro, são amigos improváveis e inseparáveis. Ligados, por Gansey, eles estão a procura de um lendário rei desaparecido, Glendower, e das linhas Ley (indico a vocês darem uma pesquisada no Google sobre as linhas pois é muito interessante). Blue entra nesta busca ao ter uma visão da morte de Gansey (e o fato de ela não ser médium indica que, se ela teve uma visão, é porque será a responsável pela morte do garoto). 
Não sei se é possível escolher, mas me apaixonei por Blue e por Gansey. Primeiramente como personagens separados (ela é formidável e cheia de vida) e depois como um casal/não-casal que está fadado a se unir e... bem, sofrer. (OBRIGADA MAGGIE, REALMENTE OBRIGADA PELA DOR). Adoro o Ronan também, e gostei muito do fato de o segundo livro - Ladrões de Sonhos - ser mais focado nele. 
Maggie Stiefvater é.... diferente. Sabe quando o autor escreve uma coisa totalmente sem noção, mas que faz TODO O SENTIDO? Essa é a Maggie, rainha dos Garotos Corvo e dona de uma mente fantástica e nada convencional.
“Ela não estava interessada em ler o futuro de outras pessoas. Estava interessada em correr atrás do próprio futuro."

You go, Blue!

Bom, espero que vocês gostem das indicações! Se quiserem retribuir o favor e me indicar outros livrinhos para que eu possa gastar meu dinheirinho neste final do ano, sintam-se à vontade!


14 de nov de 2014

Mansfield Park e o grito de Jane Austen

Mansfield Park (Companhia das Letras, 608 páginas) foi originalmente publicado em 1814 e é, como os outros livros de Jane Austen, um retrato muito fiel da sociedade da época, que se construía sobre a imagem e as expectativas sociais. Mas, ao contrário da maioria das obras de Jane, Mansfield Park  não possui o humor corriqueiro das outras histórias da autora. Ele é mais ácido, mais duro, e eu tive a impressão de que, neste livro, Jane Austen quis nos mostrar o quão injusta a sociedade do seu tempo poderia ser com as mulheres que, infelizmente, estavam presas a estereótipos e eram julgadas por seus sorrisos, palavras e atitudes.
A história se passa no interior da Inglaterra e tem como protagonista Fanny Prince, que aos 12 anos vai viver com a família rica dos tios, em Mansfield Park. Vinda de uma realidade humilde, irmã de outras nove crianças, a jovem se vê diante do luxo e de maneiras que desconhece. Criada a partir de então para “ser grata por tudo que lhe estava sendo dado”, Fanny foi crescendo com a síndrome do Patinho Feio, sempre se inferiorizando e achando que era um estorvo
Mas não pensem que Jane Austen criou a partir daí uma heroína estóica, cheia de sofrimentos, que vai lutar bravamente por si mesma e por amor. Na verdade, Fanny Price entra muda e sai quase calada da história (mas de ouvidos bem abertos o tempo todo). Até a metade do livro ela é simplesmente um papel de parede que aparece de vez em quando, sem emitir nenhuma opinião, mas pronta para julgar todos ao seu redor e endeusar o primo Edmund. Se é chamada, treme, sua, enrubesce, balbucia. Se é instigada a emitir uma opinião, fica assustada como um ratinho. É mulher modelo da época: submissa, ingênua, quase patética. Na segunda parte do livro, quando as primas saem de sua vida, Fanny de repente ‘nasce’ aos olhos de muitos que passam a enxergar sua beleza, seu comportamento exemplar e sua humildade. Mas, apesar da docilidade e submissão, Fanny é humana e Jane nos mostra isso através dos pensamentos dela, que emanam ciúme, por vezes inveja e vários julgamentos.
Eu não me senti feliz ao ler Mansfield Park. Ele não me trouxe aquelas sensações boas que Orgulho e Preconceito me trouxeram, ou o divertimento de Emma. Eu me senti triste pelas mulheres que Jane descreveu. Me senti triste pela submissão de Fanny, e triste por Mary Crawford, que era a única a demonstrar uma liberdade de pensamento e foi duramente julgada por isso. Me senti mal por Maria, que foi sentenciada a exclusão depois de fugir com o homem que julgava amar. A sociedade descrita por Jane, nesse que é seu romance mais maduro, é cruel e impiedosa com toda mulher que desafia a regra.
No fim das contas, o livro me fez refletir sobre aquela época e me tornou mais consciente da luta pela liberdade feminina que é tão recente e tão importante. Às vezes, me pego dizendo que amaria viver no mundo da Jane, mas quando paro pra refletir, vejo que não, na verdade eu não gostaria. Hoje em dia nós mulheres ainda sofremos muitas privações e somos inferiorizadas o tempo todo, então imaginem o que era viver na sociedade engessada de Mansfield Park!!! Eu senti, ao longo do livro, uma certa melancolia e por vezes até certo rancor em algumas frases e falas e fiquei me questionando se elas eram dos personagens, ou da própria Jane gritando lá do século XIX: HEY, OLHEM PARA NÓS, OLHEM PARA O QUE NOS FAZIAM PASSAR! 

Será que ela foi feliz? Será que viver daquela forma, esperando por um marido com uma boa fortuna, sendo controlada pelas palavras e ações e julgada por cada opinião oferecia a chance de uma mulher ser realmente feliz? Não sei. Talvez a gente nunca saiba. Mas o simples fato de Jane ter escrito Mansfield, manifesta a força da voz feminina que podia não ser ouvida nos salões, mas era derramada  e alagava o papel. 
Onde quer que você esteja Jane, nós te ouvimos. 

*escrevi essa resenha primeiramente para o site Foforks. Vocês podem conferi-la lá também ;) *

16 de set de 2014

Fangirl - Rainbow Rowell


"Cath é fã da série de livros Simon Snow. Ok. Todo mundo é fã de Simon Snow, mas para Cath, ser fã é sua vida – e ela é realmente boa nisso. Vive lendo e relendo a série; está sempre antenada aos fóruns; escreve uma fanfic de sucesso; e até se veste igual aos personagens na estreia de cada filme.!"

Terminei de ler Fangirl da Rainbow Rowell há alguns minutos e corri pra cá escrever, por medo de perder os sentimentos que estão em mim agora, caso eu deixasse passar muito tempo. Esse foi um livro super doce de se ler, divertido em alguns momentos, mas muito pessoal também. E acho que, pela sinopse, outras pessoas também vão se identificar com essa leitura. 

Cath é uma fã. Ela participa de um fandom, escreve fanfics, espera em filas a meia-noite pra comprar a primeira edição de um livro, tem ships, camisetas sobre sua série favorita e defende com unhas e dentes as suas paixões literárias. O mundo de Cather é o mundo do seu fandom, e nada a deixa mais feliz do que entrar nas histórias e viver lá ao invés de enfrentar a realidade (oi? conhecem alguém assim?). Cath também passou por um grande drama na infância e teve que lidar com uma carga emocional muito pesada o que ajudou (ou provocou) nela esse tipo de comportamento e a fez desenvolver esse amor incondicional pela série de livros do Simon Snow, ao ponto de sua vida ser apenas isso.

Mas as coisas começam a mudar quando Cath entra na faculdade e precisa encarar todo um mundo novo e pessoas DE VERDADE ao seu redor o dia todo, exigindo que ela saia de sua zona de conforto e passe a interagir com a humanidade. Apesar de  estar na companhia da irmã gêmea, Wren, Cath se sente cada vez mais um peixe fora d'água e tudo piora quando a irmã se afasta dela para viver a "vida de faculdade", regada a festas, bebidas e namorados. Com problemas familiares e acadêmicos nas costas, Cath vê cada vez mais sentido no seu mundo de faz de contas, de magos, dragões, Simon e Baz (que na sua fanfic, são loucamente apaixonados!). Cath nunca beijou, não consegue fazer contato visual por muito tempo, tem fobia de multidões, come barrinhas protéicas pra não ter que enfrentar um refeitório cheio (ou perguntar onde fica o refeitório!), prefere atravessar o campus a pé sozinha a noite do que pedir ajuda, além de não conseguir - e não querer- se aproximar de colegas a menos que ela seja obrigada. 
"Eu não confio em ninguém. Em ninguém. E quanto mais eu me importo com alguém, maior a certeza de que eles vão se cansar de mim e ir embora."
Bom, eu AMEI Fangil por uma série de motivos...


Primeiramente porque... eu sou uma Cath (e sei que muitas pessoas que estão lendo esta resenha também são!). EU ME VI NESSE LIVRO!. Eu vivo essa vida de fandom e muitas vezes - quase sempre - ela me faz muito mais feliz do que a realidade. Eu me refugio nos livros e nas fanfics por tempo indeterminado  porque lá o mundo é mais lindo, MUITO MAIS LINDO. Choro por ship, participo de grupo de discussão, passo horas pensando naquilo, favorito milhares de fanarts e me afasto de tudo e todos quando a paixão é muito grande. Depois, amei o livro também porque a Rainbow abordou de forma muito sensível e bonita a questão da fobia social que muitos de nós temos e como isso pode nos afetar. Através de Cath, a autora nos mostra aos pouquinhos que isso pode ser contornado sem que você abandone seus amores fictícios. Cath tem imensas alegrias com a sua série do Simon Snow e com a sua fanfic, mas ela também acaba tendo diversas dificuldades por causa da personalidade antissocial.


Enquanto eu lia, me identifiquei horrores com muitas passagens, nas partes felizes e nas partes tristes, inclusive. A questão de se esconder do mundo, se transformar numa bolinha, se trancar no quarto, com o computador no colo, vivendo apenas para a ficção de Cath é tipo : HEY QUEM ESCREVEU SOBRE A MINHA VIDA?!? (a sua vida, a nossa vida colega).

Acho que Rainbow foi muito feliz nesse livro. Ele é bem mais denso que Eleanor & Park, e mais tocante também. Tem partes super cômicas, diálogos fofíssimos (e verdadeiros), além de várias referências literárias que, quem for bem viciadinho e rato de fandom, vai sacar rapidinho! Ah, e tem o Levi, o garoto querido que vai aos pouquinhos entrando na vida de Cath e contornando todas as fobias dela *amor amor demaaaais*. Rainbow também não está nos dizendo que viver dessa forma é certo ou errado, mas sim que, de vez em quando, olhar pra vida real também nos traz boas surpresas. Ou como diria nosso sábio Dumbledore: "Não vale a pena viver sonhando, e se esquecer de viver".

É isso aí. 

Resumindo: amei demais e tô aqui ansiosa e desejosa de que Rainbow nunca mais pare de escrever nessa vida, porque  os livros dela são a maior lindeza do Universo. São tocantes, verdadeiros e sempre mexem com alguma coisinha dentro da gente.

Recomendadíssimo!

Título: Fangirl
Autora: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Páginas: 424

5 de ago de 2014

Balaio de Quotes- Eleanor & Park (Rainbow Rowell)

Hey folks!

Essa semana eu estava lendo Eleanor & Park da Rainbow Rowell, mais uma indicação que recebi no twitter (aliás, ultimamente todos os livros que aparecem na minha timeline de forma positiva, eu acabo comprando, OU SEJA, bom trabalho pessoal ;) ) e fiquei imaginando como eu poderia expressar o quão bom esse livro é através de palavras no blog.

Bem, não acho que uma resenha consiga demonstrar o quanto eu AMEI essa história, toda ela, (na verdade eu tenho é vontade de pegar um megafone, subir num prédio e gritar pra todo mundo LEIAM, LEIAM), então resolvi separar apenas algumas quotes lindas que ilustram bem a delícia e a dor que é Eleanor & Park. Uma história maravilhosa que se constrói nos anos em 1986, entre gibis, fitas cassete, The Cure, Smiths, ônibus, cabelos ruivos e olhos puxadinhos. É quase uma poesia sobre o primeiro amor e as primeiras dores que a gente sente quando conhece alguém que muda a nossa vida para sempre nem que seja por alguns segundos.

Se vocês leram, vão lembrar da beleza. Se não leram, vão querer ler. E depois que lerem, venham me abraçar, ok?

"Ele sabe que vou gostar de uma canção antes mesmo de eu tê-la ouvido. Ele ri das minhas piadas antes mesmo que eu chegue ao final. Tem um lugar no peito dele, logo abaixo da garganta, que me faz querer deixá-lo abrir portas para mim"
"Quando tocou a mão de Eleanor, ele a reconheceu. Ele soube." 
"Você salvou a minha vida, ela tentou dizer a ele. Não para sempre, e não de forma completa. Provavelmente apenas temporariamente. Mas você salvou a minha vida, e agora eu sou sua. A versão de mim que existe agora é sua. Para sempre."
"Segurar a mão de Eleanor era como segurar uma borboleta. Ou um coração a bater. Como segurar algo completo e completamente vivo."
"- Não gosto de você, Park – ela confirmou, num tom que, por um segundo, pareceu indicar que era sério mesmo. – Eu… – a voz dela quase desapareceu. – Eu acho que vivo por você. – Ele fechou os olhos e meteu o rosto no travesseiro. – Acho que nem respiro quando estamos juntos – ela sussurrou. – O que significa que, quando não te vejo na segunda de manhã, foram umas sessenta horas sem respirar."
"Park tocava as mãos dela como se fossem algo raro e precioso, como se seus dedos estivessem intimamente conectados com o restante de seu corpo. O que é claro, era fato. Difícil explicar. Ele a fazia sentir como se ela fosse mais do que a soma de suas partes."
"Eleanor tinha razão. Não tinha boa aparência. Era como uma obra de arte, e arte não deve ter boa aparência, mas sim fazer a gente sentir alguma coisa" 
"Ela devia sorrir desse jeito o tempo inteiro Park pensou, pois fazia o rosto dela passar de estranho para lindo. Queria fazê-la  sorrir desse jeito mais frequentemente".
"- Você não liga para o que as pessoas pensam de você.
- Tá louco? – ela perguntou. – Eu ligo pro que todo mundo pensa de mim.
- Não dá pra perceber – ele disse. – Você parece tão segura, não importa o que aconteça ao redor. Minha avó diria que você é bem resolvida.
- Por que ela diria isso?
- Porque é assim que ela fala.

- Eu sou é bem confundida – ela disse. – E por que estamos falando de mim? A gente tava falando de você."
 Booktrailer-amor:






23 de jun de 2014

Quote da semana


"Eu disse a você antes, Jem, que eu não iria deixá-lo e você ainda está comigo. Enquanto eu respirar, pensarei em você, pois sem você eu teria sido morto anos atrás. Quando eu acordar e quando dormir, quando levantar as mãos para me defender ou quando me deitar para morrer, você estará comigo...." 
Princesa Mecânica- Cassandra Clare

12 de jun de 2014

Quote da Semana


"São muito poucas pessoas que eu realmente amo, e ainda menos as que tenho em alta conta. Quanto mais conheço o mundo, mais insatisfeita fico com ele; todo dia confirma minha crença da inconsistência de todo caráter humano, e na pouca confiança que se pode ter na aparência tanto do mérito quanto da razão."
                                    Orgulho e Preconceito- Jane Austen

23 de mai de 2014

Os 13 estágios da depressão pós-livro

Livros fazem a gente sofrer. Isso é um fato. Volta e meia você lê um livro que destrói a sua vida, tira todo o sentido do universo e te faz querer deitar e chorar por horas. Essa é a magia e a maldição de um bom livro: o poder de deixar o leitor órfão e com a sensação de que nada mais será o mesmo depois que você termina de lê-lo... é ou não é?

Neste exato momento estou vivendo uma DPL profunda (oi Hunger Games) então resolvi elencar os principais sentimentos de uma pessoa quando termina um livro maravilhoso e não sabe mais nem o próprio nome,  PORQUE É O QUE TÔ SENTINDO E PRECISO DE AJUDA OK?

Depois do fatídico momento em que você termina aquele livro que era a razão da sua vida, que tomou todos os seus pensamentos nos últimos tempos e que mexeu com toda a sua estrutura a DPL Destruidora passa quase sempre por esses 13 estágios (ou mais):

1-  CHORO. VOCÊ JÁ TERMINA O LIVRO CHORANDO. São lágrimas de dor, de sofrimento, de separação, de amor, de felicidade. Não importa. VOCÊ SEMPRE TERMINA AFOGADA NUM RIO DE LÁGRIMAS E DOR, APERTANDO ELE CONTRA O PEITO.


2. Você entra em  CRISE EXISTENCIAL. A vida, o Universo e tudo mais: NADA MAIS PARECE FAZER SENTIDO. O QUE SOMOS, PRA ONDE VAMOS, DE ONDE VIEMOS. 


3. Você vai pras redes sociais porque precisa extravasar o que está sentindo. E VOCÊ EXPRESSA TUDO EM CAPS LOCK PORQUE SÓ O CAPS LOCK ENTENDE A DIMENSÃO DO QUE VOCÊ TÁ SENTINDO. 


4. Se você tiver sorte vai achar alguém que te entende e VAI RESPONDER AOS SEUS SENTIMENTOS  COM CAPS LOCK TAMBÉM E VOCÊ VAI SENTIR QUE EXISTE AMOR NESSE MUNDO


 5. Mas pode ser que ninguém responda e VOCÊ ACABA SOZINHO, AFOGADO EM DOR E SENTIMENTOS.


(Sem falar que NINGUÉM FORA DA INTERNET ENTENDE O QUE VOCÊ TÁ SENTINDO)



6. Então você vai pro tumblr. E ai a COISA FICA MUITO PIOR. OS SENTIMENTOS SÃO MULTIPLICADOS. A DOR É MULTIPLICADA. Você reblogga  duas mil e quinhentos posts sobre seu ship, todas as quotes, todas as fanarts e encontra todas aquelas gringas que fazem posts maravilhosos  VOCÊ PRECISA MOSTRAR PRO MUNDO O QUE ESTÁ SENTINDO!!!!


7.  VOCÊ COLOCA FANARTS OU IMAGENS DO VICIO EM TODAS AS TELAS DE PROTEÇÃO PORQUE VOCÊ PRECISA OLHAR PRA ELES. 


8. Todas as músicas sobre dor agora fazem sentido e TODAS, REPITO, TODAS SE ENCAIXAM NO SEU SHIP, OU EM ALGUM PERSONAGEM OU COM ALGUMA CENA.  



9. E você passa as próximas semanas se expressando através de frases como 'VOU MORRER', 'NÃO POSSO COM ESSA VIDA',  'DESISTO DA VIDA', "SÓ DOR", "MINHA VIDA É DOR", "O QUE EU FAÇO DA VIDA AGORA?' e afins, todas em inglês, óbvio, porque parece ser a língua que mais entende de feels pra quem shippa. 


10. E você acorda pensando no livro, dorme pensando no livro, come pensando no livro, vai pra aula pensando no livro, trabalha pensando no livro, E CHEGA AQUELE MOMENTO EM QUE VOCÊ COMEÇA A IMAGINAR CENAS, E FINAIS ALTERNATIVOS, E SEUS SHIPS CASANDO, E SEUS SHIPS TENDO FILHOS, SEUS SHIPS EM MUNDOS ALTERNATIVOS E É TANTO SENTIMENTO...


11. ... que você parte pras fanfics.




12. Mas de tanto em tanto tempo, você lembra que o livro acabou, ou que a continuação vai demorar 20 anos pra sair. E DÓI. DÓI DEMAIS. 


13. E você vai tentar ler outras coisas, outros amores, outros ships, mas por um tempo, sabe que nada vai funcionar. Sua cabeça e seu coração vão estar sempre voltando pra aquele livro. 


E por um tempo, vai ser assim. Por meses e meses a gente sofre e sofre, mas é um sofrimento tão incrível porque o livro é incrível, que no final, a gente é feliz né?

Sei que o sentimento é reciproco e estou aqui pra abraçar quem precisar *SIGHS* Se você não shipa nada, mas encontrar alguém nestas condições sempre ESTENDA A MÃO AMIGA  E RESPONDA OS TWEETS E AJUDE ESSA PESSOA PORQUE ELA PRECISA OK????

Esse post é dedicado a todas as pessoas que, como eu, estão sempre morrendo de sofrimento toda vez que um livro da sua vida termina. Eu entendo! 



5 de mai de 2014

Sombra e Ossos - Leigh Bardugo

Olha, essa vida de leituras não é fácil. Você tá bem, tentando se recuperar de uma série (alooou Shatter Me) e de repente, vem outra, te dá um soco no estômago e faz você se apaixonar por personagens de novo. DE NOVO, BRÉIR. Pois é, pois é. Meu novo soco no estômago se chama "Sombra e Ossos" (Shadow and Bone) e se vocês ainda não leram TÃO FAZENDO O QUE AI PARADOS?

Bom, deixa ver se eu consigo expressar de forma digna o quanto gostei desse livro.

Sombra e Ossos da Leigh Bardugo traz uma história maravilhosa, com uma mitologia única - toda inspirada na Rússia - coroada por personagens extremamente cativantes. O livro é o primeiro volume da Trilogia Grisha e se passa numa terra fictícia chamada Ravka, onde vive uma elite mágica, os Grishas, pessoas criadas desde pequenas para praticar a Pequena Magia. Os Grishas, por sua vez,  são liderados por um Darkling, o Grisha mais poderoso de todos e que possui poderes que o tornam quase mais (se não mais) importante que o rei de Ravka.
 “Se, por uma pequena chance, um de vocês for Grisha, então essa criança sortuda irá para uma escola especial onde os Grishas aprendem a usar seus talentos.”
Então, leitores queridos, é em torno dos Grishas, do Darkling e da protagonista Alina Starkov que nossa história vai girar. Sombra e Ossos começa quando Alina, órfã e aprendiz de cartografia do seu destacamento militar, é enviada em  expedição à  Dobra Das Sombras (uma faixa de escuridão, cheia de perigos), em companhia de seu melhor amigo - e primeiro amor-  Maly. O  barco em que eles estão é atacado e quando Maly é ferido, Alina exterioriza, sem saber exatamente como, um poder que não sabia que possuía e  salva a todos.

Ao acordar, ela é imediatamente levada ao encontro do  Darkling e fica sabendo que o poder que demonstrou ter é muito raro e extremamente cobiçado. Ela é uma Conjuradora do Sol e sua força pode ajudar a destruir a Dobra das Sombras que aterroriza a população há tanto tempo.
Separada de Maly, Alina passa, então, a viver em Os Alto, a capital de Ravka, na corte do Darkling, onde aprenderá aos poucos a controlar e usar o poder  que tem. Ou pelo menos é o que ela pensa. Cada aula é um sacrifício, e Alina se vê cada vez mais presa a uma responsabilidade que pesa em seus ombros a cada lição em que ela falha.

Alina é uma protagonista interessante. Acostumada a passar despercebida (inclusive para Maly que nunca percebeu a adoração que ela tinha por ele), ela se deprecia bastante e não enxerga o poder que tem. Alta, ossuda e magrela, sua demora em liberar a energia que tem dentro de si vem dos medos e inseguranças que alimenta desde a infância. Dentro da corte e perto do poderoso Darkling essa insegurança aflora muito mais e Alina precisa aprender a confiar em si mesma, o que é bastante difícil. Mas acontece, e quando acontece, nossa garota brilha mais do que o sol!

Já Maly, melhor amigo e paixão secreta de Alina, é um Rastreador talentoso que aparece no início e no final do livro, e é um dos pilares sustentadores na vida da garota. Maly sempre foi a única coisa com que Alina pode contar desde criança (os dois foram criados no mesmo lugar) e é um personagem carismático, mas que, na minha opinião, desapareceu sob a sombra do Darkling.

Ah o Darkling...



“Você e eu mudaremos o mundo. Apenas espere"

Quem é Darkling? Até agora não sei exatamente, apesar de adora-lo. Como assim? Bem, é nítido enquanto fazemos a leitura, que Leigh brinca um pouco com a nossa cabeça ao construir  o Darkling. Em nenhum momento, a personalidade dele fica definida. Ela nos dá lampejos e falas (que possuem mais de um sentido) e tudo que podemos fazer é supor o que o Darkling é, quais são seus objetivos verdadeiros, e o que ele verdadeiramente quer da Alina. Sabemos apenas que ele é um Grisha super poderoso, que governa mais até do que o próprio rei e que tem vivido por muito tempo, apesar de sua aparência jovem. Preto é sua cor e seus olhos não deixam transparecer nada. Ou deixam transparecer apenas o que ele quer. 

“Eu passei a vida procurando um modo de corrigir as coisas. Você é o primeiro lampejo de esperança que tenho em muito tempo.” 

A reviravolta em relação ao Darkling, que acontece no final, é um pouco previsível, mas mesmo assim, totalmente extasiante. Ele é o tipo de personagem que poderia, sem perigo, ter um livro só dele, porque é extremamente complexo e geraria trama. 

Bom,  eu fiquei fissurada em Sombra e Ossos e lí sem parar. Logo depois sai catando spoiler, fanart, playlist tudo que pudesse achar que suprisse minha sede de mais, EU PRECISO DE MAIS!! O mundo e a mitologia criada por Bardugo são fascinantes (você nota a influencia Russa em todo lugar, desde os nomes, ao clima, às roupas, à capa). Em alguns momentos notei que faltaram uns esclarecimentos em relação a este mundo criado por ela,   mas não acho que isso prejudique a trama como um todo. 



O trabalho da Editora Gutenberg  merece aplausos. O livro é lindo, por fora e principalmente por dentro, com letras desenhadas, mapa e detalhes pequeninhos que deixam o livro especial. O único porém é que as folhas são grossas e o livro pequeno, o que dificulta o ângulo de abertura das páginas durante a leitura. A mão cansa pelo esforço de segurar as páginas abertas (pelo menos eu cansei um pouquinho). Eu não tive contato com a edição original, então não sei se ela é assim também.

Enfim. Minha recomendação: LEIAM, LEIAM, LEIAM! Vocês não vão se arrepender e com certeza, acabarão apaixonados pela trama como eu.

Detalhe: a continuação, Sol e Tormenta está saindo agorinha da Editora e em breve já estará nas prateleiras!

Título: Sombra e Ossos (Shadow and Bone)
Autora: Leigh Bardugo
Editora: Gutenberg
Páginas: 288

9 de abr de 2014

Romance Histórico versus Romance de Época

Quando a Fernanda Karen me convidou pra escrever um texto que tentasse diferenciar Romance Histórico de Romance de Época, minha primeira reação foi: NEM PENSAR. NO WAY. Mas depois, ela, com aquele jeitinho meigo de Fermina ( xD ) acabou me convencendo a tentar escrever a minha concepção do que é cada um. Minha negativa inicial em escrever se deu porque eu sou só uma leitora e não tenho nenhuma graduação em Literatura para falar do assunto de forma profissional, então o que segue é a opinião de alguém que já leu alguns livros e diferencia da forma que segue os dois gêneros abaixo relacionados. Sintam-se a vontade para questionar – e me corrigir se for o caso.
Ok, vamos lá:
O Romance Histórico surgiu como gênero literário lá no século XIX
 e tinha por premissa reconstituir fielmente os costumes, a comunidade e as convenções sociais da época. Estes livros reconstituem de forma muito real os componentes sociais, políticos e econômicos das épocas em que as tramas se passam, geralmente ambientados em momentos históricos importantes (as guerras inglesas, as guerras napoleônicas, a revolução industrial, a sociedade francesa do séc. XVI, a família Tudor...). Os autores descrevem a sociedade com muitos detalhes, quase como se eles mesmos tivessem vivido naquele momento:comida, roupas, locais, moradia, costumes, tudo é detalhado.Frutos de anos de pesquisas, nestes livros os personagens, por mais destaque que tenham, sempre estarão a mercê do momento histórico. Pensem que, num romance assim– se for bem escrito – você vai aprender alguma coisa sobre a HISTÓRIA da humanidade. É o tipo de livro que acrescenta informação verídica, que você vai poder jogar no Google e descobrir que aquilo realmente aconteceu ou a época foi exatamente daquela forma (vale lembrar que, obviamente, existe informação inventada, afinal, o autor precisa de um espaço para romantizar também).  Neste ínterim, são romances históricos, por exemplo, os livros do Tolstói, do Walter Scott, do Alexandre Dumas e na contemporaneidade da Philippa Gregory, do Ken Follett, do Bernard Cornwell, Janet Paisley (com A Rosa Branca Rebelde), Umberto Eco (O Nome da Rosa)  e Christian Jacq. No Brasil, José de Alencar é um exemplo de escritor de romance histórico, pois seus livros se preocuparam em reconstituir e construir a nacionalidade brasileira lá no século XIX.
Livros sobre o Rei Arthur são romances históricos, Bréir? Olha, em se tratando da série As crônicas de Artur do Bernard, eu considero, pois, apesar do autor estar fazendo uso de alguém que nunca existiu, Bernard fez imensa pesquisa histórica pra descrever os locais, o tipo de batalha, o tipo de governo, a comida, as fortificações e afins para dar vida a série. Agora, em relação às Brumas de Avalon, para mim, falta contextualização histórica. Marion dedicou a série a descrever as relações pessoais, magia, a interação feminina e a lenda arthuriana em detrimento da época histórica em que ele poderia ter vivido. A série é quase uma fábula, (opinião pessoal, claro).

Já os Romances de Época (também surgidos lá no século XIX), preocupam-se mais com o personagem em si do que com o contexto histórico, apesar de situar o protagonista em uma época característica (a regência, a era vitoriana, o velho Oeste, a Idade Média). São aqueles livros, que quase sempre usam a História apenas como pano de fundo para as ações dos protagonistas e suas relações, seus hábitos, moda, etiqueta e estilo de vida. É bem comum que neste tipo de romance os personagens tenham atitudes que não são regra à época (uma mulher ficar sozinha numa sala com um homem no século XIX é muito comum em romances de época, mas a realidade não era essa. Intimidades sexuais? Idem.). São autoras de Romances de Época (sim, geralmente são mulheres): Julia Quinn, Madeline Hunter, Lisa Kleypas, Candance CampEmily e Charlotte Bronte e Jane Austen.

Jane Austen? Sim, ela mesma. Jane se enquadra em Romances de Época porque, apesar de descrever de maneira muito verossímil a sociedade londrina do século XIX, seus romances não buscam contextualizar historicamente o leitor.  Jane viveu e ambientou seus livros em um período bem conturbado da história inglesa (o imperialismo e as guerras Napoleônicas), mas ela raramente fez menção a isso em suas histórias. Pra exemplificar, em Persuasão, o capitão Wentworth lutou na guerra napoleônica de São Domingo, mas Jane apenas mencionou o fato vagamente e não o transformou em algo que interferisse em sua história o que não aconteceria se fosse um Romance Histórico.

Deu pra diferenciar um pouquinho?

Enfim, esta é uma das concepções do que é um Romance Histórico e um Romance de Época. É algo que vai variar muito de livro pra livro e da percepção de cada leitor, então acho interessante sempre pesquisarmos mais sobre o assunto para entender direitinho.
Espero que eu tenha ajudado nem que seja um pouco e, se vocês tiverem ideias diferentes da contextualização dos termos, compartilhem. Eu também adoro aprender =)



2 de abr de 2014

Tríptico- Karin Slaughter

Vocês sabem o que é um Tríptico? "Tríptico" é o nome que se dá a um conjunto de  três pinturas, em que os dois exteriores podem se dobrar sobre o do meio. Comuns principalmente na Renascença, as pinturas geralmente formam uma única imagem, e as partes separadas podem não fazer muito sentido, dependendo do artista.  Tríptico também é o nome que a Karin Slaughter deu ao primeiro romance de sua série policial Atlanta, protagonizada pelo agente do FBI Will Trent e tem tudo a ver com o sentido real da palavra: é uma história que se divide em três imagens interligadas e que somente juntas fazem sentido. 

O livro vai nos apresentar, em tempos diferentes, três personagens: o detetive Michael Ormewood, o agente Will Trent e o ex-condenado John Shelley. O que os une? Garotas que são encontradas mortas, com suas línguas arrancadas. Michael, um ex-militar, agora detetive, é chamado para cuidar do caso de uma prostituta que foi assassinada em seu apartamento e que teve a língua arrancada pelo agressor. Will Trent, do FBI, aparece logo depois, por achar que o crime tem alguma ligação com casos parecidos que já averiguou. John Shelley, por sua vez, nos é apresentado por último, um ex-condenado que passou metade de sua vida atrás das grades, acusado de assassinato e estupro. Aos poucos, Karin vai nos dando um vislumbre da vida de cada um porque eles são o tríptico: Michael, Will e John são as três peças que juntas, formarão um conjunto e darão fim ao mistério das mulheres assassinadas. 

O que eu gostei: Uma das coisas interessantes em Tríptico, é que Karin nos dá o assassino logo de cara. Ele não é um mistério a ser resolvido pois o leitor consegue visualizá-lo com poucas pistas. O objetivo da autora não é que  a gente descubra o serial killer e sim, que acompanhemos o caminho intrincado que vai chegar até ele. É agoniante em alguns momentos saber que alguém que conhecemos é o assassino e as pessoas ao redor dele não fazem a menor ideia! Outra coisa que eu adorei foi o papel da detetive Angie Polanski, personagem secundário que acaba se tornando uma das peças chave para o desenvolvimento da história. *COMO EU AMO DETETIVES MULHERES EM LIVROSSSSS (e séries, e filmes, e tudo)*


 Angie trabalha no Departamento de Combate a Prostituição e tem um relacionamento conturbado com o Agente Will. Ambos, quando criança, estiveram nos mesmos orfanatos e ainda carregam na mente e no corpo as marcas do abuso e do descaso. Ela é durona, mas justa, e acaba roubando a cena em vários momentos! Aliás, por mim, ela poderia ser protagonista de uma série só dela, pois valeria muito a pena ler! 

Já Will, nosso agente do FBI é outro caso interessante. Ele possui dislexia, então seu caminho até chegar ao cargo é um mistério. Usando de truques e muita habilidade, ele esconde de todos (menos de Angie) seu problema e tenta viver como se isso não fosse importante. Sua infância e adolescência traumáticas também conferem ao personagem um ar de sofrimento que se reflete em sua personalidade. Will é calado, pensativo e muito inteligente. É o tipo de anti-heroi que desperta nossa compaixão, mas que não quer ser olhado com pena.

Também adorei  a capa. Ela passa uma imagem de desespero através das imagens das correntes e do pulso amarrado que realmente reflete a agonia que  existe dentro do livro. Aliás, a Record é uma das minhas editoras favoritas em relação a capas pois elas são sempre bem feitinhas.

O que eu gostei mais ou menos: fiquei esperando um detalhamento maior da vida das vítimas. Não sei se é porque isso geralmente aparece em outros livros, e nos aproxima da história, mas eu queria saber mais sobre as meninas/mulheres e de que forma o assassino chegou até elas.

Vale a pena: Sim. Eu conheci a escrita da Karin há alguns anos, quando li "Cega" outro romance policial da autora e lembro que fiquei muito impressionada. Karin  sabe exatamente o tom que deve ser usado para levar uma história de mistério e morte adiante e sua escrita, pra mim, se aproxima muito da escrita da diva Tess Gerritsen. Em suas histórias, ela é crua, direta e realista, trazendo o que há de pior em um crime e dosando muito bem os toques de realidade e a romantização. Só sinto que apenas quatro livros dela foram publicados no Brasil, pois ela tem potencial para se tornar um dos melhores nomes da literatura policial da atualidade.

Tríptico é um livro bem delineado. Tudo se encaixa no final, e ainda fica o gostinho de quero mais. Eu adorei Will e sua personalidade problemática e fico feliz de saber que a série é dele *_* Pra quem, como eu, amar esse livro, a Editora Record já lançou o segundo volume da Trilogia *ABENÇOA SENHOR* que se chama Fissura.

Título: Tríptico
Editora: Record
Páginas: 389
Arabescos: 5/5

21 de mar de 2014

A Desconstrução de Mara Dyer - Michelle Hodkin


Nos últimos tempos, tenho lido vários livros onde as mulheres são guerreiras, perseguidoras de demônios, soldados, loucas, psíquicas, sobrenaturais.... é uma situação nova na literatura, onde elas deixam de seguir certos padrões e passam a ser incríveis por serem diferentes. Nestas novas tramas, geralmente, elas estão presas em mundos destruídos, ou dentro da própria mente alucinada. Elas lutam, matam, perdem tudo, se reerguem do nada - algumas até morrem - geralmente buscando encontrar a si mesmas em um mundo de caos e destruição (vide Jogos Vorazes, Divergente, Estilhaça-me, Delírio...).  EU AMO DEMAIS ESSE TIPO DE PERSONAGEM e acho que os autores podem continuar criando essas lindezas.

Semana passada tive a oportunidade de ler mais um livro desse tipo e quero compartilhar com vocês =D.  Por indicação da Barbarela,  que me enviou um monte de quotes destruidoras,  comprei A Descontrução de Mara Dyer e comecei a ler com uma expectativa tão grande, que devorei quase 200 páginas assim que o livro chegou nas minhas mãos. É bom? É. Muito. 

Mara Dyer é uma sobrevivente. Aos 17 anos, ela acorda no hospital e descobre que é a única que saiu ilesa de um desabamento que matou 3 de seus amigos.  O problema é que, apesar de ter saído sem sequelas físicas do acidente, o mesmo não aconteceu com a sua mente: Mara passa a ter pesadelos e alucinações visuais e é diagnosticada com Transtorno de Estresse Pós Traumático. Para evitar a internação, ela e a família se mudam para a Flórida em busca de um pouco de tranquilidade.

Mas tranquilidade e normalidade é a última coisa que Mara vai ter dai em diante. Destoando das figuras de sua nova escola, a Academia Croyden de Artes e Ciências, a garota precisa enfrentar a animosidade dos novos colegas e também a própria mente, que continua lhe pregando peças. Pra entender o tamanho do drama de Mara, logo na primeira aula ela tem uma alucinação na frente de todos os colegas o que faz dela, imediatamente um alvo. Ela é a esquisita. Ela é a louca. 

"Rachaduras apareceram nas paredes da sala de aula conforme umas vinte cabeças se voltaram na minha direção. As fissuras dispararam para cima, cada vez mais altas, até que o teto começou a desabar. Minha garganta ficou seca. Ninguém disse nada, muito embora a sala estivesse coberta de poeira, muito embora eu achasse que fosse sufocar.  
Porque não estava acontecendo com mais ninguém. Só comigo. "

O que eu amei: Mara tem uma personalidade muito inquietante que me deixou super vidrada no livro, principalmente porque ela passa a história inteira lutando contra a própria mente e tentando entender o que é verdade e o que é loucura. Além disso, ela também é irritadiça, dona de uma língua rápida e tem um humor ácido em relação a tudo e todos. Ela até chama Noah de "escroto-mor". Gente, como não gostar? hahaha
Apesar de amar a família, o acidente e o Transtorno fazem com que Mara se afaste um pouco da realidade da vida das pessoas, sempre se mantendo nas 'beiradas', muito mais uma observadora  do que uma pessoa ativa. Se ela pode passar despercebida, melhor. Se ela aparecer, precisa rezar pra que sua mente não lhe traia. Aliás, Mara Dyer não é nem seu nome de verdade. Como descobrimos no início do livro, esse é o pseudônimo que ela usa pra contar a sua própria história. Apesar de passarmos 372 páginas com ela, no final, o leitor não conhece a Mara de verdade. Ela é uma incógnita. Ela é um rosto vazio. 

" Sei que ter um nome falso é estranho, mas confie em mim: é a coisa mais normal a respeito da minha vida no momento."
O que eu gostei mais ou menos: No meio de toda a confusão na vida de Mara, aparece Noah Shaw, aluno da Academia e que vai se aproximar dela apesar de sua aparente loucura. Ok. Noah.  Quando eu comecei a ler, já tinha uma expectativa monstruosa sobre ele e me preparei para amá-lo acima de todas as coisas e tal. E eu gostei do Noah. Gostei mesmo. Mas não criei - ainda - um elo com o personagem.
Essa coisa da expectativa é uma coisa traidora. 

Noah é descrito como lindo de morrer, rico de morrer, sexy de morrer etc, etc, etc. É um britânico deuso. Até aí tudo bem, essa descrição muito me agrada hahaha mas alguns detalhes na personalidade dele me incomodaram um pouco. É aquela coisa de 'misterioso', sempre surgindo pelos cantos, parecendo saber de tudo, que me deixa meio apreensiva. No caso de Noah  ele era tão tudo que eu só queria um defeito, só unzinho pra poder sentir que ele era humano. Ele também tem alguns momentos meio violentos que  me fizeram lembrar do Travis Maddox, de Belo Desastre, e se existe um personagem que eu odeio nessa vida é o Travis ¬¬ Sei que, em se tratando de Noah, essa não é uma opinião muito popular mas foi o que senti nesse primeiro livro. Por outro lado, gostei da atenção dele com a Mara, a proteção, as piadinhas e o SOTAQUE PELAMOR DE DEOS!!!! (que a gente não ouve mas imagina né...) 

O que eu não gostei: Noah ter um mistério. Não sei onde tá escrito que em todo livro todo mundo tem que ter um mistério. Um grande segredo. Um passado meio nebuloso. O mistério de Noah é desvendado no final do livro e eu fique: mas qual a necessidade? Caiu meio de paraquedas, com uma explicação rápida. Se tivesse sido trabalhado desde o início do livro até teria sido interessante, mas ficou parecendo jogadinha de final de trama.  Novamente: não é a opinião mais popular e eu espero que no próximo livro, faça mais sentido. 

Outra coisa: na página 209 tem uma cena  igual a uma outra de Crepúsculo. Mas igual mesmo. Leiam e depois venham me dizer se não notaram a semelhança. 

Capa: tá aí uma coisa apaixonante. A capa. Gostei da imagem, da cor, das letras...tudo. Gostei do sentido, Mara estar a deriva, com Noah a segurando e salvando (ou seria posse???). O título também é sugestivo. Desconstrução é uma decomposição de partes, um desmembramento de estruturas, o que é o que acontece com Mara Dyer neste livro: ela precisa despir a mente, camada por camada, até chegar a verdade sobre si mesma. 

Em resumo: amei esse livro. Os pontos positivos são bem mais fortes que os negativos (acho que negativo nem é a palavra certa, mas tudo bem) e a trama tem algumas coisas novas. Mara é cativante e mal posso esperar pra saber o que vai ser da vida dela depois do final chocante de A Desconstrução. O enredo é rápido e escrita da Michelle flui que é uma beleza! A maneira como ela descreve a mente de Mara te faz questionar se o que você está lendo é o real ou o imaginário! Não ter certeza da leitura é uma coisa beeem interessante. 

 Booktrailer do livro:


Título: A Descontrução de Mara Dyer 
Editora: Galera Record
Páginas:  375
Arabescos: 4/5


1 de mar de 2014

O Trono de Vidro - Sarah J. Maas

Vou começar esse post com uma confissão: eu comprei esse livro pela capa. SIM, SIM, CONFESSO, CONFESSO. Há algum tempo, quando vi a capa de O Trono de Vidro na livraria, quase caí pra trás. Foi amor a primeira vista. Foi como ser acertado pela flecha de Eros. E como era amor, jurei que um dia voltaria para busca-lo. E voltei, comprei, li e adorei! Maaaas, não pensem que só a capa é bacana. A história toda é uma delícia e o livro vale a pena como um todo. 

O Trono de Vidro é o primeiro livro de uma série de seis e mais um prequel  (ai meu bolso), escrito pela americana Sarah J. Maas e, segundo a biografia da autora, demorou dez anos pra ser concluído. A história se passa em uma terra  fictícia, chamada Eriléia, e tem como protagonista Celaena Sardothien uma moça de 18 anos que carrega o título de Assassina de Adarlan, devido a sua fama mortal. Apesar de toda sua habilidade, um dia a jovem é traída e acaba presa nas minas de sal de Adarlan, tendo que fazer trabalhos forçados. A trama toda começa quando Celaena é tirada do local e levada até o Príncipe Dorian, que tem uma proposta  para a jovem: ela deve ser a sua campeã em uma competição contra outros 23 assassinos e ladrões. Se vencer, ela deverá trabalhar para o rei por mais quatro anos e depois terá sua liberdade definitiva. Sem alternativa, Celaena aceita e é escoltada até o Castelo de Vidro, residência da nobreza, onde a competição acontecerá.

A partir daí, posso dizer que a trama vira uma boa  mistura de Game of Thrones e Jogos Vorazes com Celaena  passando por diversas provas eliminatórias, que vão preparando-a para o duelo final, e tendo ainda que se esquivar de intrigas palacianas, envenenamentos e assassinatos: os campeões passam a serem caçados um por um e mortos de forma horrível e misteriosa.  Além de toda essa complicação, a garota se vê envolvida com o príncipe Dorian e desperta, sem querer, o interesse de seu treinador, o capitão da guarda, Chaol Westfall. 
"Sou Celaena Sardothien, Assassina de Adarlan. Se estes homens soubessem quem sou, parariam de rir. Sou Celaena Sardothien. Vencerei. Não sentirei medo."
Celaena é um personagem interessante. Primeiramente, ela tem esse nome estranho que não entrou na minha cabeça (juro pra vocês que meu cérebro registrou "Caleana" e não desapegou), e depois a sua personalidade é meio ambígua e isso mexeu com a minha cabeça. Celaena é a Assassina de Adarlan. Ela é badass, ela é incrível, ela é poderosa, fodona, indestrutível, bonita. A descrição da aparência dela é bem parecida com a da Daenerys de GOT e o leitor cria rápido a imagem na cabeça. Por outro lado, depois que passa a viver na corte, Celaena vira uma menina que ama vestidos, é uma leitora inveterada, gosta de passear, jogar conversa fora e flertar com caras bonitos como o Príncipe. No começo isso me confundiu. Não parecia ser a mesma pessoa. Depois, acabei me perguntando se não foi isso  que a autora quis passar: que apesar da fama, Celaena era uma menina ainda. Uma garota que perdeu sua juventude e todas as etapas dela e que de repente, se vê dentro de um mundo inteiramente novo. Essa dualidade pode incomodar algum leitor, mas acho que pensar nessa coisa da 'garota interior' da Celaena, faz sentido. 
"Ela era uma lamina afiada pelo rei dos Assassinos para o próprio lucro. Era um animal adormecido - um felino da montanha ou um dragão - e as marcas de poder da jovem estavam por toda a parte."
Dorian e Chaol também são interessantes. Dorian cresceu sob a sombra do pai poderoso e terrível e nunca foi ouvido por ele. O príncipe possui um senso de justiça apurado e todas as suas conversas com Celaena são uma delicia. Shippei os dois desde o início e me apaixonei pela sua personalidade. Já Chaol é um mistério e até o final do livro quase nada é revelado sobre o Capitão. Ele é calado, reservado e extremamente leal à Dorian e me lembrou muito o Dimitri de Academia de Vampiros. Pelo que entendi, o desenvolvimento dele acontece mais adiante. 

Se você for um leitor chato, vai notar, como eu, que o livro possui algumas incongruências como o fato de Celaena ser a pessoa mais perigosa do mundo, mas de repente poder ficar andando pelo castelo, indo brincar na sala de jogos ou ler na Biblioteca ou ainda o fato de Eriléia ser um mundo fictício, mas seus deuses e crenças serem celtas. Também martelou na minha cabeça o fato de Sarah se referir à Celaena como 'assassina' vinte vezes num  mesmo parágrafo. No entanto, isso é detalhe dentro de uma história tão bacana. Meu veredicto é de que o livro vale a pena. Não só pela capa bonita, mas porque o plot é bem interessante e a série promete. Eu andei lendo alguns spoilers do próximo livro e a trama vai ficar ainda melhor! Então, se esse é seu tipo de leitura e  você gosta de protagonistas que chutam o matam antes e perguntam depois, (=D)  tenho certeza de que vai amar O Trono de Vidro como eu amei!

Título: O Trono de Vidro
Editora: Record
Páginas: 390
Arabescos: 4/5