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21 de set de 2010

Arabesqueando pelo Mundo: Irlanda


"As pessoas familiarizadas com os meus livros sabem que a Irlanda é um dos meus lugares prediletos para visitar, na vida real e na ficção. É uma terra de gigantescos penhascos e planícies serenas. Uma terra de mito, magia e lenda. Em Diamantes do Sol, pedi emprestados alguns desses mitos e criei a minha própria lenda.
E tudo poderia ter acontecido."

(Nora Roberts no prefácio de Diamantes do Sol )

Há alguns anos, fuçando entre as estantes da Biblioteca Pública, encontrei um livro com uma capa bonita chamado Diamantes do Sol. Era o primeiro de muitos Nora que leria a partir daquele dia.
O livro, o primeiro da Trilogia do Coração, me trouxe duas coisas: um amor incondicional pela escrita da autora e uma paixão sem limites pela Irlanda descrita pela protagonista, Jude Murray.
A história se passa em Ardmore, uma antiga vila de pescadores, localizada no Condado de Waterford. Jude é uma americana que, após passar maus bocados na vida pessoal e profissional, resolve deixar tudo para trás e buscar um pouco de sí mesma o mais longe possível. Destino: Irlanda.
O pedaço do país descrito pela autora me pareceu sonho, quase perfeito demais para ser verdadeiro: colinas, fadas e calor humano. Fiquei apaixonada, mas duvidei que realmente fosse assim... o que seria uma pena visto que toda vez que Jude respirava aquele ar, eu o sentia dentro de mim.


"Os campos eram verdes - de um verde indescritível -, cortados por sebes ou pontilhados por fileiras de árvores raquíticas. Vacas malhadas e ovelhas peludas pastavam aqui e ali, enquanto tratores se arrastavam de um lado para o outro. Algumas casas brancas e creme surgiam na paisagem, roupas a esvoaçar nos varais, flores multicoloridas a desabrochar nos quintais.
E, de repente, de uma forma surpreendente e maravilhosa, Jude deparava-se com as paredes antigas de uma abadia em ruínas, ainda orgulhosa, contra os campos e o Sol ofuscante, como se aguardasse pelo momento de voltar à vida. (...) Da grandeza em ruínas à simplicidade encantadora, a terra estendia-se em beleza, oferecia-se ao viajante. Telhados de colmo, cruzes de pedra, castelos, depois aldeias com ruas estreitas, placas escritas em gaélico."

Eu lembro que fiquei tão desolada quando terminei a Trilogia, tão apaixonada, que me lancei numa pesquisa desenfreada à 'verdadeira Irlanda' buscando um pouco de realidade que me fosse possível alcançar algum dia, já que estava decidida a ir pra lá de qualquer maneira em algum ponto da minha vida (de preferência, logo). E a surpresa: a Irlanda que fui encontrar era...a Irlanda da Nora!
Ok. Quase igual. Vamos dar alguns descontos. Exceptuando os problemas pelos quais o país já passou (política, a divisão pesada entre as Irlandas e os conflitos religiosos que permanecem na memória, por exemplo), o crédito do lugar é grande, vindo da opinião de quem vive lá desde sempre ou de quem já passou por alguma pontinha do país.
É um dos destinos preferidos de mochileiros, escritores, estudantes de intercâmbios, poetas e sonhadores. A economia é estável, o povo é verdadeiramente lendário, a beleza descrita não chega nem perto de mostrar o que realmente é. É a terra da Guinness, dos penhascos, dos castelos, dos povos pagãos, de escritores como James Joyce, Oscar Wilde, Bram Stoker,
da magia que até hoje vive dentro de muitos.
Depois de algum tempo de pesquisa eu não estava mais apaixonada. Estava caindinha de amor.
Amor esse que só aumentou a cada livro, cada informação que angariei durante esses anos. Um amor que me puxa pra lá e, ultimamente, vem reclamando atenção e exigindo uma atitude: ver com meus próprios olhos.
Que é o que eu estou planejando fazer =)
Perfeita ou não a Irlanda é um daqueles lugares que nos chamam a atenção e quase exigem que reparemos neles com olhos sonhadores. É o destino pra quem, como eu, possui mais tino pra imaginação do que pra realidade, que deseja encontrar em um lugar físico o que às vezes parece ser só imaginação.
É a terra da magia viva.