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30 de abr de 2010

Fausto e o mistério da literatura pop


Esse post é só uma consideração sobre um assunto que tem me rodeando por esses dias: preconceito literário.

Começou quando eu tive a infeliz oportunidade de ler uma opinião acerca de literatura numa comunidade por aí. A dita pessoa dizia com veemência que leitores de literatura pop são menos merecedores de reconhecimento do que leitores de clássicos.

Eu entrei em ebulição.

Sou uma devoradora confessa de literatura pop. De autores novos e temas fantásticos à livros que aparecem na mídia. Acho hipócrita torcer o nariz pra um livro só porque ele está na lista do New York Times ou da Veja. São livros, por favor, se estão lá é porque alguma coisa boa eles devem ter e mesmo que não tenham, pra algumas pessoas eles significarão algo.

Outra: eu leio muitos clássicos, mas não sou do tipo que só lê uma coisa. Não aceito de forma alguma ser considerada inferior em intelecto porque minha home não está repleta de pensadores ou filósofos.

O que faz de um clássico...um clássico? Ser clássico faz dele um livro melhor que todos os outros?

Existem conceitos, termos fixos que exprimem uma identidade. Bom e mau, certo e errado, aceitável e descartável.Uma ideia muito difundida- só pensar em nossos vestibulares- é a de que, literatura de qualidade, tem que ser antiga, puída, acontecendo dentro de corredores escuros, sob saias rodadas e ser, quase sempre, infeliz. Não pode ter palavras simples, nem ser de fácil compreensão. Quanto mais irrequieto for o pensador, mais inteligente será o leitor. Estudos da mente, do corpo, da humanidade. Muita filosofia. Isso serve. Isso é bom. É o que toda cabeça pensante deve ter acesso. Se você lê Joyce, Dickens e Baudelaire, pode, com certeza, se considerar mais culto, inteligente e esperto que outra pessoa que lê Marian Keyes, Dan Brown e Nora Roberts. Afinal, os primeiros são clássicos enquanto os segundos são leitura pra matar tempo. Tudo dentro de uma categoria pré-estipulada.

Bem, eu não gosto muito que decidam por mim.

Eu amo clássicos, alguns dos meus autores favoritos são homens e mulheres que se eternizaram na literatura mundial. O que eu não gosto- e não entendo- é a rotulação que novos tipos de leitura recebem por não pertencerem a uma ‘categoria consagrada’. Algo como ‘se você lê Marian Keyes vai acabar se tornando uma obcecada por casamento e perda de peso’. Bem, então poderia eu responder levando em consideração ‘clássicos',que, quem lê Virginia Woolf vai se tornar um suicida.

Fácil, não?

E ridículo.

Todo livro acrescenta, soma. Alguns mais, outros menos. Já li livros de cem anos atrás que não me tocaram de forma alguma, enquanto outros recém saídos do forno me fizeram chorar. O contrário, claro, também já aconteceu.

Defendo que, o que cada um lê é que não deve ser controlado, amassado, moldado por uma 'opinião superior'. Ninguém, por mais acadêmico que seja, tem o direito de classificar o que vai nos deixar mais inteligentes ou não.

Essa é a grande burrice.

Não um livro da Meg Cabot que fala sobre princesas ou um romance com capa cor de rosa.


10 comentários:

  1. AMEI! amei, amei, amei seu post!
    concordo plenamente também! Odeio quando estou lendo um livro da Meg, por exemplo, e me mandam ler algo melhor e pra pensar! Poxa, o livro tem sim valor! Olha a super capacidade de escrever e a criatividade da autora! Parabéns pelo post, muito bom!

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  2. Oi, tudo bem?
    Eu sou a Lu do linda e culta. Você disse que baixou fallen pra ler. Você conseguiu ele em português?? se for me manda o link?
    Beijoos

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  3. Bom, eu acho que estou na lista das acadêmicas chatas.
    Acho que você até conhece meu ponto de vista, porque já falamos sobre isso.
    Mas já que é isso que está em discussão, vambora.
    Acho que como leitora e apreciadora de Tolkien e Lewis, isso sem falar no Neil Gaiman, não dá pra dizer que eu tenho preconceito com literatura pop.
    O que me incomoda em geral nesse tipo de produção é que eles estão simplesmente repetindo o que os "caras chatos de 100 anos atrás" disseram. Por isso é importante conhecer os caras.
    É que é legal diferenciar entre clássico e cânone. Clássico é aquilo que foi bom para várias gerações, que venceu o tempo e continua tendo significado para as pessoas muito tempo depois de escrito porque fala de algo que está na alma humana, numa camada bem profunda.
    Cânone é o que os tiozinho da academia diz que é o mimi e vai pra lista do vestibular e é escolhido para ser lido nas disciplinas do curso de letras. Por isso nem todo cânone é clássico e nem todo clássico é cânone. Existem clássicos pop, mas poucos estão no cânone.
    E outra coisa que acho - e foi o motivo de eu te encher o saco daquela vez - é que se limitar a um único tipo de literatura reduz suas possibilidades de conhecimento e de prazer.
    Conhecer muita coisa em literatura não te torna mais inteligente, nem mais esperta - e com certeza, nem um pouco mais rica - mas te dá possibilidades de prazeres baratos, intransferíveis e inalienáveis ilimitadas.
    E só para que fique bem claro - se tivesse alguma dúvida quanto à tua inteligência e articulação, não teria te escolhido (e mantido) interlocutora por tanto tempo.
    Beijoca na bochecha.

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  4. Minha linda, falou tudo que estava engasgado e falou por mim tbm... eu leio de Nietszche a Turma da Mônica e nem por isso um tem menos valor que o outro...continue lendo tudo que te inspira e o resto.. dane-se!!
    um beijo enorme!
    :)

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  5. Oi moça! Sou lá do Skoob, vi seu recado sobre o blog e vim dar uma curiosada por aqui. Logo de cara já curti o post. ADOREI a explicação da diferença entre cânone e clássico, porque a verdade, é que eu não sabia. Seu blog já foi pros meus feeds. Beijos!

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  6. Concordo plenamente!
    Ótimo texto. Tb leio o q me der na telha, sem ligar para rótulos e críticas. ;D

    bjocas

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  7. Eu acredito que existe uma diferença em buscar literatura e buscar uma boa história: literatura pop são boas histórias, literatura de verdade - além da boa história - há a arte das palavras, a forma como as letras, frases, parágrafos, estão amarradas ali, é poesia em prosa, é mágico, é divino, é pura arte. Os clássicos são como um bom vinho, literatura pop é como uma coca-cola: mata a sede, te faz querer mais, porém falta a sofisticação. O bom é que também vejo ótimos autores comtemporâneos "não-pop", vc já leu Hatoum? Carpinejar? São incríveis! :)

    Eu sou fã da Virginia Woolf, tenho um blog dedicado a ela e tudo mais e estou longe de ser uma suicida! haha Preconceito tem, em todos os lugares, mas acho que cada tem o direito de gostar de tal coisa e pronto. E no fundo, permiter-se conhecer o outro lado, sempre é um aprendizado.

    Eu participo de um clube de leitura aqui em Salvador mais voltado para chick-lit, estou gostando e aprendendo sim, por que não?

    Um beijo!
    ps.: chegeui aqui através do twitter.

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  8. Olá, tudo bem?!

    O Brasil é conhecido como o país de analfabetos, pessoas que não possuem o hábito da leitura.

    Então eu acho maravilhoso, você ler clássicos, histórias em quadrinhos, jornais, revistas, literatura pop. O que importa é que está lendo, e lendo aquilo que de alguma forma te interessa, está dentro do seu universo, te agrada, te emociona. Isso é que vale a pena.

    Geralmente os clássicos são livros de autores que já faleceram há anos. Quando você lê algo que é chamado de literatura pop ou moderna, você está lendo algo de um escritor vivo, está valorizando a obra de pessoas atuais, pode até interagir com ele através de e-mail, redes sociais, eu acho isso fantástico, e levanto a bandeira para valorização dos escritores atuais. E isso não é abandonar os antigos, pq tudo se completa, os clássicos de alguma forma inspiraram os atuais e por aí vai...

    O bom mesmo é ler, ler para viajar, se emocionar, ler para sair um pouco da frente da TV, do computador.


    beijos!

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  9. Adoro ler Dan Brown. Dos livros dele só não li o último, ainda. Mas meu autor preferido ainda é Machado de Assis, um clássico. Mas gosto de Dan Brown.

    Concordo com todo mundo que fala mal de Dan Brown, mas tenho que reconhecer que o cara sabe escrever uma boa história, apesar de eu adorar a 2ª fase de Machado de Assis, que sem dúvida alguma é repleta de boas histórias.

    Moral da história: uma coisa não implica na outra.


    ;)
    foi mal ae.

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