Páginas

10 de ago de 2009

The runaway!


Porque quem é vivo sempre aparece ou no mínimo, faz umas atualizações hora ou outra.
Não que o twitter tenha se tornado mais interessante que o blog, sério, mas quem escreve já deve ter passado por isso- ou vai passar uma hora: de repente você não tem mais vontade. As ideias não parecem coerentes. Você quer férias. Férias de conjugar verbos e construir sentenças. Férias de debater. Férias de tentar entender. Férias de pensar demais.
De vez em quando é bom. A gente pára, assiste outras coisas, lê outros autores, experimenta o novo, reflete. E depois quando for a hora a inspiração está de volta.
Eu achei muitas coisas boas nesse meu exílio blogueiro. Ouvi coisas diferentes, passeando pela voz venenosa de Joan Jett do The Runaways lá nos anos 70 até os acordes countries e atuais de Taylor Swift e derrapando ainda, na melodia quase pura do Iron & Wine; aliás eu sinceramente acho que é um pecado passar por essa vida sem ouvir Iron & Wine. Também lí gente nova- pra mim- como a maravilhosa Martha Medeiros, que se tornou uma inspiração literária, e a hilariante Sophie Kinsela. Num rompante de saudade, também relí Harry Potter que há muito tempo me chamava da estante pra revivermos minha adolescência.
E numa surpresa até para mim, voltei a escrever meu livro, abandonado há meses numa pasta nos 'meus documentos'.
Maravilha. A única coisa interessante de meus momentos de exílio pessoal: eu me torno um ser mais cultural. Eu leio mais, eu ouço mais, eu paro pra olhar pinturas, admiro as fachadas antigas de prédios. Tomo gosto por clássicos, experimento novos sabores. Eu me perco em mim. E acho que, às vezes, isto é um mal, quase bem, necessário. Pra aplacar as dores do primeiro Dia dos Pais sem um pai, eu aumentei o som e cantei com Jett; me lavou a alma. Pra sanar algumas tristezas eu leio Martha e acabo rindo de mim mesma. Acho que descobri a verdadeira missão da cultura, qualquer que seja a manifestação: nos manter na superfície e acreditar.
Então agora que estou com a bagagem bastante cheia, essas descobertas gritam para serem compartilhadas [Sem contar que se eu ficar mais tempo longe meu filho mimado choraminga. E eu também].
De volta às canetas e à tagarelice.
.

*Obrigada a quem me procurou aqui ou de outras formas pra pedir por onde eu andava e se estava tudo bem. Contatos assim fazem um bem danado, acreditem.*