Páginas

9 de jun de 2009

O livro, um colecionador e os ossos



Sei que um livro é bom o suficiente quando ele me tira da internet. Fato.
O Colecionador de ossos, de Jeffery Deaver é um daqueles livros que te tira do mundo, te joga de cara na história e não te deixa sair de lá até ter acabado de ler. Esgotado, mas satisfeito.
O thriller, escrito em 97, foi tão aclamado pela crítica que virou filme com Denzel Washington, interpretando o tetraplégico e brilhante Rhyme e Angelina Jolie, na pele da patrulheira linda, artrítica, mas sem um pingo de ambição, Amélia Sachs.
O bom é que, como eu assisti o filme há uma pá de anos, esqueci totalmente a identidade do assassino frio que leva a história. Então, tirando uma cena e outra da película que me vem à memória, é tudo novidade no romance. O que claro, torna a leitura ainda melhor.
Rhyme é um brilhante criminalista, que após uma acidente no trabalho fica preso para sempre em uma cama, vivendo dia após dia o sofrimento de só poder se mexer do pescoço para cima e o dedo anular da mão esquerda. Suas limitações estão prestes a leva-lo ao suicídio quando um caso de sequestro seguido por morte é levado à ele e consegue por instantes tira-lo do estupor da vida que leva. Em minutos o caso, até então sem nexo, ganha luz sob os olhos e a mente rápida de Rhyme e ele passa a ser o mentor da investigação.
Já Amélia, se liga ao caso sem querer enquanto faz sua última patrulha antes de ser transferida, e é chamada para averiguar o local do primeiro crime. Contra a vontade, ela passa a trabalhar com Rhyme e envereda-se por um caminho do qual nunca sonhou em fazer parte: a investigação criminal e a mente obscura de um psicopata.
O que me chamou atenção de início, além da prosa perfeita e instigante de Deaver, é que a personalidade de Amélia vai contra a descrição da maioria das mulheres de romances policiais. Ela não possui a raiva latente de Romilda Chacón em Minos, não sente falta da ação como a durona Jane Rizzoli, de O Cirurgião, nem tem a força e a vontade de se provar perante o mundo machista da investigação como a eterna Clarice Starling de Silêncio dos Inocentes. Amélia é uma acomodada. Sente-se satisfeita com sua posição na polícia, não almeja nada mais, nem sonha subir no escalão do centro investigativo. Fica tão insatisfeita por estar na investigação de Rhyme, que o odeia por quere-la no caso e não entende o porque de ele querer isso de uma patrulheira sem um pingo de experiência na área.
O que ela não vê, nos é apresentado assim que Rhyme a escolhe. Ele enxerga nela o senso crítico e analítico para uma cena de crime que a maioria dos homens com quem trabalha já perdeu, ou nunca possuiu. Percebe a mente que trabalha, apesar de ela não dar valor à isto. E acima de tudo, instiga à ele, o fato de Amélia estar se lixando para sua fama e sua condição física. Ela não o trata com pena, nem com medo. Ela sente raiva de Rhyme e isto, para o ex-policial, é uma novidade e tanto.
Outro destaque é a mente do Colecionador de Ossos. Não é um aventureiro descuidado. Não é burro, nem volátil. É inteligente, rápido, experiente e diabólico. Ele sabe exatamente o que está fazendo e não se importa de brincar com a polícia, ao deixar pistas suficientes para que seja encontrado por alguém tão inteligente quanto ele. É um jogo habilidoso em que o Colecionador dá as cartas e blefa à vontade.
Todos estes pontos transformam a leitura em uma viagem. Você precisa saber o que vai acontecer a Amélia. Necessita desesperadamente saber se alguém será salvo do Colecionador. Deseja, de maneira esperançosa, que Rhyme levante da cama de forma milagrosa e fique com Amélia. Quer descobrir o que guia a mente do assassino arrepiante...
Acho que estas vontades são a chave para classificar o livro como digno de ser lido e recomendado. E, O Colecionador de ossos é com certeza a leitura perfeita pra quem deseja sair de casa sem levantar do sofá e a que acaba te mantendo acordado até madrugada, na ânsia desesperada de saber o final.
Deslumbrante.

8 de jun de 2009

... la vida pasa, hoy pasa...

Me paso la vida pensando en lo bueno y lo malo
mi mente está triste
me siento algo extraña
mi cuerpo se agota, mi alma lo nota
de ver en el mundo
mentiras de otras bocas
la loca envidia que trae la mentira
palabras tan falsas
que por mi mente pasan, hoy pasan.

El tiempo se pasa, y los años me cansan
me enervan mentiras
que trae gente vana
el tiempo está en viloyo sé que me pasa, mentiras, palabra
sy todo es una farsa
tengo un momento de ansias mundanas
quisiera decir lo que siento
en mi alma que la vida pasa, hoy pasa.

Y en mí, y en mí, y en míy
en mí mundo nuevo te voy a olvidar
las aventuras que he podido vivir
y en mí, y en mí
no aguanto mas historias así
...y en mí.
(Lo Bueno y Lo Malo- Chambao)

É uma das músicas mais lindas que já ouvi, e no momento, me enche de lembranças...
Às vezes, o que passou é bonito demais para se desistir, apagar ou esquecer.
.

*pra quem quiser ouvir está neste cd.*