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14 de mar de 2009

Del estupendo grito, de la tristeza loca... Serena


Eu dedico um amor leigo ao Flamenco.
Leigo, porque o pouco que sei se resume a conhecimento histórico. Tecnicamente, não sei quase nada e o 'quase nada' que sei, nem tento reproduzir pra não pagar mico. Mas leigo ou não, eu amo de paixão.
Ano passado, quando passei por aquele período turbulento na dança -quem acompanha o blog há uns meses deve lembrar- eu quis tentar algo diferente para espairecer e fui atrás de aulas de Flamenco. No entanto, quando já estava tudo certo para ter uma aula experimental as situações convergiram e acabei tendo que deixar esse teste de lado e não surgiu mais oportunidade de tentar.
Mas não me queixo, porque na época as coisas na dança voltaram ao normal e muita coisa me manteve ocupada e bem, durante aqueles dias.
Assim com em DV, não lembro quando, nem como me apaixonei por Flamenco. É dessas coisas da vida que existem, ou aparecem quando menos se espera. Só sei que sempre achei esteticamente lindo e emocionalmente encantador. Toda vez que tinha a oportunidade de assistir, era engolida por toda a beleza e a magia que existe nessa dança. Sabe, de se arrepiar e ficar imaginando como seria dançar aquilo, daquela maneira, com aquela emoção? É, bem isso. [o mesmo que acontecia quando via algo de DV].
Acho que foi por toda essa admiração existente, que fiquei tão mexida ano passado quando uma coreo de flamenco-árabe foi montada e eu não pude participar porque não ia na aula em questão. Bem, vocês lembram, quando falei da tal música que mexia total comigo, que me deixava em lágrimas... que doía. A música em questão era uma flamenco-árabe, que eu nunca poderia dançar apesar de amar. Passei mal bocados tentando superar a tal música.
Aí aconteceu que no começo deste ano, a coreo ganhou sinal verde pra ir pra festiva e eu fui convidada a dança-la.
Dançar 'A' música.
Dançar flamenco.
Dançar a coreo pelo qual tinha chorando litros...
Nem vou descrever como eu fiquei quando a professora me fez o convite... Acho que eu só não saí gritando como doida, porque eu estava chocada demais pra gritar. Mas o que senti suplantou qualquer emoção de muito tempo... Bem, quem leu aquele post em que eu falava da música deve entender um pouco.
Agora estou as voltas em pegar a coreografia, em me acostumar com a saia, pegar os trejeitos. Dificil, e eu me sinto atrapalhando o grupo na maior parte do tempo (meu lado eu-não-sirvo-pra-nada-só-atrapalho-que-eu-to-fazendo-aqui? que surge la de vez em quando). Mas continuo empolgada apesar das recaídas de auto-estima.
E é flamenco!!!- misturado, mas mesmo assim, flamenco!- Flamenco apaixonante, flamenco gritante. Se a palavra da Dança do ventre é feminilidade, a do flamenco é paixão com toda a certeza. Paixão física, emocional, nua, crua, soberba. Quem não sente o sangue pulsar mais forte nessa dança?
Magia.
Existe um bocado de magia no flamenco. Magia, misturada à paixão, com uma pitada de tradição. O resultado é uma dança tão marcante que é impossível não querer sentir o gostinho um dia... Eu estou adorando aprender um pouco,mesmo que numa fusão. O toque está lá. O calor também. O ritmo...
E sentir uma pitada disto não tem preço.
Dançar esse calor, é uma extensão de toda a magia...
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* Trilha Sonora do Post: A Mi Manera , Gypsy Kings *