
Razão e Sensibilidade é uma daquelas histórias que vai contra todos meus princípios femininos pessoais. - Não casar, não ter filhos, nunca estar a mercê de um homem. Sim, eu sou do contra.
Depois de tanto receber dicas, me entreguei à leitura de Austen e mesmo tendo em mente claramente que o livro é de uma época arcaica, onde a mulher só era feliz se fosse casada e tivesse algumas crianças, não pude deixar de ficar indignada com várias, várias partes em que se mostra a mesquinhez masculina e a devoção quase religiosa feminina para com os homens.
Marienne é tão apaixonada que se torna tola, Edward não tem coragem o suficiente para lutar pela mulher que realmente quer, Brandon parece algum tipo de boneco sem vida e Elinor, apesar eu ter me identificado em algumas coisas com ela, é pacífica demais; controlada demais; consciente demais. Desejei que ela explodisse em algum momento, ela realmente precisava.
Mas não é uma crítica negativa à Austen ou ao seu livro. Entendo completamente seu ponto de vista, e sua colocação de personagens, que se assemelha total com sua época. Provavelmente ela também estranharia se numa loucura do tempo, tivesse acesso a um dos romances da Nora Roberts. [Eu juro, pagava pra ver a cara de Jane ao ler 'Montana Sky'!]. Só é bastante frustrante ler e ficar louca com a falta de livre arbítrio da mulher naquele tempo.
No fim das contas, eu gostei mesmo foi da antagonista Lucy Steele. Fria, esperta, rápida, e calculista. Do tipo que sabe bem o que quer e quando quer. Não menos apaixonada ou idealista. Mas com um bocado mais de coragem e audácia. Lucy é um retrato retrô de muita mulher moderna.
E mesmo sabendo o que me espera, agora vou ler Orgulho e Preconceito. Sou do contra, mas também sou curiosa, e esse livro me atiça há muito tempo.
Feminismos e leituras a parte, o negócio é que eu fico bem feliz de ter nascido na época em que nasci!




