Páginas

7 de fev de 2009

De Austen, com amor


Razão e Sensibilidade é uma daquelas histórias que vai contra todos meus princípios femininos pessoais. - Não casar, não ter filhos, nunca estar a mercê de um homem. Sim, eu sou do contra.
Depois de tanto receber dicas, me entreguei à leitura de Austen e mesmo tendo em mente claramente que o livro é de uma época arcaica, onde a mulher só era feliz se fosse casada e tivesse algumas crianças, não pude deixar de ficar indignada com várias, várias partes em que se mostra a mesquinhez masculina e a devoção quase religiosa feminina para com os homens.
Marienne é tão apaixonada que se torna tola, Edward não tem coragem o suficiente para lutar pela mulher que realmente quer, Brandon parece algum tipo de boneco sem vida e Elinor, apesar eu ter me identificado em algumas coisas com ela, é pacífica demais; controlada demais; consciente demais. Desejei que ela explodisse em algum momento, ela realmente precisava.
Mas não é uma crítica negativa à Austen ou ao seu livro. Entendo completamente seu ponto de vista, e sua colocação de personagens, que se assemelha total com sua época. Provavelmente ela também estranharia se numa loucura do tempo, tivesse acesso a um dos romances da Nora Roberts. [Eu juro, pagava pra ver a cara de Jane ao ler 'Montana Sky'!]. Só é bastante frustrante ler e ficar louca com a falta de livre arbítrio da mulher naquele tempo.
No fim das contas, eu gostei mesmo foi da antagonista Lucy Steele. Fria, esperta, rápida, e calculista. Do tipo que sabe bem o que quer e quando quer. Não menos apaixonada ou idealista. Mas com um bocado mais de coragem e audácia. Lucy é um retrato retrô de muita mulher moderna.

E mesmo sabendo o que me espera, agora vou ler Orgulho e Preconceito. Sou do contra, mas também sou curiosa, e esse livro me atiça há muito tempo.
Feminismos e leituras a parte, o negócio é que eu fico bem feliz de ter nascido na época em que nasci!

2 comentários:

  1. Oi, Ket!

    Interessante e eterna a discussão sobre o feminismo. Certa vez, um conhecido meu disse que a mulher não soube aproveitar a liberdade que conquistou. Por um lado, ele está certo. Eu mesma fico me questionando se o feminismo veio para melhorar a situação social da mulher ou só para estragar tudo. Talvez, fosse melhor as conquistas acontecerem com o tempo, ainda que mais devagar.

    A final, a mulher tem que provar o quê e para quem? É muito legal a oportunidade de trabalhar fora, de escolher casar e ter filhos (???), de viver uma vida liberta e independente de princípios arcaicos. Mas isso poderia ter sido feito de uma forma mais sensata e melhor pensada, pelo menos.

    Uma outra visão sobre a repressão da mulher está em "O Homem", de Aluísio Azevedo. O autor descreve detalhadamente um caso de histeria (bastante comum naquela época) através de sua protagonista, que vive o drama da superproteção e prisão às mulheres nobres do final do século XIX no Brasil. É muito bom.

    Beijo!

    ResponderExcluir
  2. Mas que coisa boa saber que você gosta de ler, e ainda por cima, falar e escrever sobre isso!
    Acho bacana ter essa histórias 'antigas' pra gente tentar entender até que ponto evoluímos - ou não - acerca do que chamamos 'independência feminina' não é?! Dica para ficar ainda mais curiosa - e furiosa - 'Madame Bovary'. beijo!

    ResponderExcluir

Faça uma pessoa feliz e comente esta postagem!
Saber a opinião de um leitor é muito importante pra que a gente saiba se o blog está legal ou não =)