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18 de set de 2008

'Children, Don't Stop Dancing'


Quando você deixa de ser só aluna do básico e se mete numa Cia ou um grupo mais avançado com obrigações e tal, surge o estresse.
Eu não imaginava lá quando comecei, que dançar também estressava. Achava que seria sempre bonitinho, sabe? Chegar, cumprimentar a profe -que você vê como deusa- fazer os passinhos, descobrir, se encantar. O primeiro ano foi assim, uma beleza.
Aí quando entrei na Cia, a coisa deu um giro completo. Dançar, em termos mais profissionais exige. Não é só bonitinho. É dolorido, é cansativo e sim estressa até a raiz do cabelo de vez em quando. Você passa a conhecer os defeitos das pessoas. Ninguém é só amiguinho... surge a competividade, um amontoado de fofoca - junta 12 mulheres pra você ver se o bicho não pega- opiniões que não batem, discussões por figurino, passos errados, fulana que não colabora, ciclana que me olha torto. Sem falar na pressão para que a técnica seja impecável e a dança apta a concorrer ou ser exibida para público.
Nas últimas semanas a dança tem sido meu ponto de estresse. O que soa irônico quando lembro que quando comecei era pra ser apenas divertido. O ritmo está alucinado, as coreografias exigentes e a professora tendo ataques. Duas ou três vezes eu cogitei jogar tudo pro alto e cair fora... Chega de não ter domingos, chega de piti, chega de confusão. Não quero mais esse problema.
Mas aí... a gente sempre respira fundo e persiste.
O que andei aprendendo nesses dias com esse desgaste todo?
Que trabalho bom, não é fácil. Que para haver reconhecimento adiante, você tem que ralar. Que mulher é bicho traiçoeiro. Que tudo que você disser poderá ser usado contra você. Que você é feita de músculos, e que eles dóem muito. Que nada bonito sai sem antes ser testado, amassado, virado até ficar na forma perfeita. Então a gente aguenta porque realmente quer ver o resultado ou porque se apega à esperança de que vai melhorar.
Não to querendo assustar as iniciantes ou aspirantes a bailarinas/alunas/professoras. Só tentando passar com essa minha experiência que, se você quiser algo sério em relação à dança, não vai ser fácil. Não espere um mar de rosas, não espere colaboração de todos os lados, nem um caminho sem obstáculos. A busca pela dança perfeita está cheia de percalços... As pessoas são mesquinhas, invejosas e algumas não se importam de te dar o tranco para cair. E elas vão rir... Acredite.
Mas se você for um bocado persistente e estiver ciente da dificuldade, vá em frente. Como eu estou indo apesar dos pesares. É doloroso às vezes, mas também muito bom. E dançar é maravilhoso... É a isso que me apego sempre que desanimo. Em quanto é maravilhoso e o quanto eu me realizo dançando.
O resto, a gente encara.

*post ao som nostálgico de Don't Stop Dancing, do extinto Creed*