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30 de jul de 2008

O Faraó e a Dança

Rapidão, cite o nome de um faraó do Antigo Egito.

Tick, tack, tick, tack.

Duas em três que você pensou em Ramsés - ou Tutankamon.
Dá nada não, eu também pensei [e Cleópatra, seguida por Nefertiti se me questionassem sobre a Rainha].
Pois então, eu sempre tive curiosidade de saber o porquê de Ramsés ser tão lembrado na cultura egípcia e sua memória venerada por tanto tempo, mas acabava sempre deixando pra depois, depois e depois. Mas semana passada quando tirei uns dias de folga e resolvi me dar o prazer de uma ótima leitura dei de cara com uma série bem interessante. ‘Ramsés’ de Christian Jack é composta por cinco volumes, que contam em forma de romance toda a vida de um dos faraós mais amados e venerados do Egito. Os testes que passou para chegar ao trono, seu medo de nunca ser como o pai Sethy, seu coração dividido entre duas mulheres fascinantes e apaixonadas e a luta pela vida em um Egito onde o assassinato esperava em cada corredor. Terminei o primeiro volume, ‘O Filho da Luz’, totalmente fisgada. O assunto já é interessante, e quando narrado de forma tão rica torna-se muito mais apaixonante.
Dois trechos em especial, me chamaram bastante atenção, porque descrevem de forma muito verdadeira a Dança do ventre - ou uma de suas facetas - daquele tempo. Eu digo verdadeira, porque bate com tudo que já pesquisei sobre o assunto na época e região.
Só pra dar um gostinho, cito abaixo um desses trechos. Se gamarem, está indicadíssimo. ;)

(...) Não era uma recepção vulgar; várias jovens de excelente família, ensaiadas por uma coreógrafa profissional, tinham decidido mostrar os seus dons para a dança. Ramsés chegara tarde, não querendo participar dos banquetes; sem querer, encontrou-se na primeira fila dos numerosos espectadores.
As doze dançarinas tinham escolhido exibir o seu talento nas margens do vasto espelho de água onde desabrochavam lótus brancos e azuis; archotes presos na ponta de longos suportes iluminavam a cena.
Vestidas com uma rede de pérolas sob uma curta túnica, com uma peruca de três fileiras de tranças, adornadas com longos colares e pulseiras de lápis-lazúli, as jovens esboçaram gestos lascivos; leves, bem coordenadas, inclinaram-se para o solo, estenderam os braços a invisíveis pares e enlaçaram-nos. Os movimentos eram de uma lentidão deliciosa e os espectadores continham a respiração.
De repente, tiraram a peruca, a túnica e a rede; com os cabelos presos num chignon, seios nus, vestidas apenas com uma tanga curta, martelavam o chão com o pé direito e depois, formando um conjunto perfeito executavam um salto escarpado para trás que provocou exclamações. Curvando-se e inclinando-se graciosamente, realizaram outras acrobacias igualmente espetaculares.
Quatro delas destacaram-se do grupo e as outras cantaram e marcaram o compasso batendo com as mãos. As solistas, arrastadas por uma antiga canção, louvaram os quatro ventos saídos dos pontos cardeais. Iset, a Bela encarnava o doce vento do Norte que nas noites tórridas permitia aos seres vivos respirar. Eclipsou suas companheiras, visivelmente satisfeita por captar todos os olhares
(...).
[Ramsés, O Filho da Luz - Christian Jacq].