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9 de mar de 2008

As primeiras músicas a gente não esquece

*Ao som de Hayyarti Albi*

A música é ponto chave na cultura árabe. De tantos fatores é se não o maior, provavelmente é um dos que mais chama atenção.
Há algo de muito diferente e mágico na música oriental árabe. [Música Oriental remete a toda a música do Oriente para mim, Indiana e afins. Por isso costumo usar o oriental árabe, pra especificar. Hum, eu gosto de ser clara. Ou só seja muito chata em relação a isso.]. Ela não é sob medida. Não segue padrões. Tem suas regras, mas regras livres. Nada de 'vamos seguir uma batida, sejamos ordenados caras, ou a moça alí vai se perder'. Não, ela sobe e desce, pára e continua, é feita de surpresas, de voltas, de idas e vindas.
Um espetáculo à parte.
As primeiras músicas árabes que ouvi foram aquelas que tocaram durante um tempo, há uns dez anos, nas boates e danceterias. Uau era meio que moda. Simarick do Tarkan [ei o melô do beijinho! Muaaachk], alguma coisa do Amr Diab e aquelas com batidão do CD Arabian Nights. Quem lembra?
Ah você lembra. Todo mundo lembra. Eu não conhecia a dança, mas adorava e saia remexendo e achando que com certeza uma 'odalisca' dançava daquela jeito. Depois claro, vieram Il Alem Allah do Amr Diab e todas as que tocavam em O Clone. Eram músicas legais e provavelmente foram as primeiras que muita futura bailarina ou apreciadora da música árabe ouviu na vida. Eu dentre elas. [Não que eu goste de lembrar de quando eu fazia algo como um básico-egípcio-com-cambrê-e-mãozinhas-esquisitas-do-lado. Na verdade também não gosto muito de lembrar da Jade fazendo isso. Ui ].
Meu primeiro CD realmente árabe adquiri no segundo mês na dança. Era bem legalzinho, com 13 faixas variadas [incluindo a bendita da Il Alem Allah] e gostosas de ouvir. Tocava o dia inteiro. Aliás tocou tanto que tive que jogá-lo fora porque era meio piratex e lascou todo, sabe como é. Mas antes de lascar havia passado para o pc, então ainda tenho as músicas. Das primeiras a gente nunca esquece. Deste CD em especial nunca esqueci de Tamaaly Maak, do Amr. Sempre achei, e ainda acho, linda, linda.
Uma coisa que nunca esqueci foi do que minha professora falou em uma das primeiras aulas. Algo como: "a primeira coisa que se ouve quando se faz dança do ventre é o bom e velho Tony Mousayek." Dito e feito. As primeiras músicas e o primeiro CD que comprei eram dele. Ya Hellow Ya Zein, Larguetek, Tiala Titamar [que agora não suporto], Zahma Ya Dunia... Uma pá de músicas bem batidonas que no começo eu achava que eram o uó do borogodó. Não que eu não goste mais do Tony, acho bacana e algumas músicas tem versões muito bem executadas por ele. Mas às vezes eu enjoo da voz do tio Tony. E quando enjoa é melhor dar um tempo.
Depois nem sei direito quais vieram. Baixei muitas, de todos os tipos, das mais clássicas às mais moderninhas. Derbaks e folclóricas.
Aliás achar música árabe é meio que um passatempo. Adoro aumentar a biblioteca e ter diversas versões de uma mesma. Sem falar que é pelo ouvido que a nossa base para uma boa dança começa. Entendendo a música o resto flui com muito mais facilidade. Tenho o costume de baixar uma música e ouvir diversas vezes até 'entendê-la'. Depois me arrisco a dançar.
A música Oriental Árabe em sí é viciante. Na boa, eu nem sei mais o que toca nas rádios ultimamente. Nem faço idéia das paradas de sucesso. Eu só ouço árabes. As pessoas até se assustam quando começam a falar comigo sobre música atual e eu olho com cara de hã? Como?
Já é meio que normal.
Mas é um desses vícios bons. Tenho amigas que não fazem DV, mas que mesmo assim adoram a música e ouvem diariamente [ei Lauren ;)]. Bom para elas, ótimo para mim que posso ouvir minha música mesmo quando vou dormir fora !
Minha preferência? Clássicas. Descobri há pouco tempo que sinto algo de muito diferente ao ouvi-las.
Mas isso já é assunto para um próximo post...

Muita música a todos!