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28 de set de 2008

Cigana Vermelha

* vou reciclar post, só pra essa semana. Esse textinho foi um dos primeiros que escrevi e é especial para mim por alguns motivos. Já venho com algo novo*




"Ela dançava ao som das batidas. No ritmo das palmas. No crepitar da fogueira.
Não tinha nome, não tinha lar. Era desconhecida, viajante e no momento adorada. Surgia sem aviso, sem pressa, onde quer que o vento a levasse.
Devagar ela se movia entre eles, tão mortais e perdidos, com pés leves e mãos desenhistas. Seu corpo era longo, sinuoso e brilhante, com cheiro de brisa, de estrelas e de noite. Uma noite pura e infinita como nenhum deles jamais veria.
Ao toque alto ela sorria e de seu sorriso brotavam faíscas que iluminavam a escuridão. Tão rubro e sensual era seu riso que agitava suas almas e fazia arder a chama além do fogo onde eles já não estavam mais. Estavam com ela, ao redor dela. Assistindo sua dança e seu feitiço.
Suas sedas e seus adornos roçavam as mãos secas inebriando-os com perfume e seus cabelos de ondas enrolavam-se em fitas longas que eles podiam tocar. Sua dança afagava-lhes o espírito ferido pelo deserto e como água, matava a sede de beleza, que há muito nenhum dele podia ver.
Dos quadris nasciam movimentos fluidos e vivos, por alto, por baixo, sempre cadenciados com o toque do instrumento levando-os a um delírio maior e mais profundo. Não havia toque que ela não interpretasse, não havia corações que ela não tomasse.
Era disso que vivia. De olhares, de paixão, de promessas que nunca aceitaria.
Eles a chamavam de cigana vermelha, e ela apenas sorria. Seria o que eles quisessem até que o sol nascesse. Eram seus, todos seus enquanto lá estivesse. Tão seus que ela podia senti-los dentro do peito como o sangue que corria rápido pelas veias.
E quando o horizonte começava a despontar, ela acelerava e dava-lhes seus últimos desenhos, seus sorrisos mais brilhantes e jogava-lhes um perfume mais doce, para depois desaparecer aos poucos nas areias levando seus véus, partindo para uma próxima noite enluarada.
Deixando-os eternamente enamorados.


Era livre e eterna enquanto existisse o ritmo.
Enquanto existisse a noite e a solidão dos homens..."

9 comentários:

  1. Oh, Ket, que história bonita... Será que era assim mesmo que as pessoas viviam? Há muitos e muitos anos? Eu não duvido. :-))

    Às vezes fico pensando nisso, como era o passado, as músicas, as guerras, as pessoas, o que existia e o que não existia, o modo de vida... Fico viajando, eheheh, mas depois eu volto pra realidade a pensar que é preciso levantar no dia seguinte e passar por mais uma rotina. Eheheh.

    Tenho uma curiosidade: há quanto tempo vc já dança?

    Ah... Eu não gostei muito de ter passado por aquela vergonha tão intensa, poderia ter sido melhor, eu poderia ter curtido mais. Mas isso aí uma hora passa, eheheheh e futuramente vou lembrar disso e dar risada!

    Beijos, Ket! Não desista do que é a sua vida. Nunca.

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  2. ai,ai... é por causa de posts assim que eu fico um tempão na net...rsrs...de quem é?! AMEI!
    um beijo enorme!
    ps: parabéns pela sensibilidade

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  3. Um acréscimo à sua descrição pessoal: Ket: jeito de menina, a mente de uma mulher. E o coração livre para ser o que quiser!

    rsrs

    Beijos!

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  4. Que texto lindo! Adoro!!
    vou te linkar ok?
    bjinhus

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  5. Vi tua cigana vermelha dançando. E ela se chamava Sayonara. Beijos.

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  6. Acabou, fechou o lojinha, hoje só amanhã?

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  7. ESCREVE, ESCREVE, ESCREVE!!!!!!!!!! RSRSRSSSSSS

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