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13 de fev de 2008

Cigana Vermelha


Ela dançava ao som das batidas. No ritmo das palmas. No crepitar da fogueira.
Não tinha nome, não tinha lar. Era desconhecida, viajante e no momento adorada. Surgia sem aviso, sem pressa, onde quer que o vento a levasse.
Devagar ela se movia entre eles, tão mortais e perdidos, com pés leves e mãos desenhistas. Seu corpo era longo, sinuoso e brilhante, com cheiro de brisa, de estrelas e de noite. Uma noite pura e infinita como nenhum deles jamais veria.
Ao toque alto ela sorria e de seu sorriso brotavam faíscas que iluminavam a escuridão. Tão rubro e sensual era seu riso que agitava suas almas e fazia arder a chama além do fogo onde eles já não estavam mais. Estavam com ela, ao redor dela. Assistindo sua dança e seu feitiço.
Suas sedas e seus adornos roçavam as mãos secas inebriando-os com perfume e seus cabelos de ondas enrolavam-se em fitas longas que eles podiam tocar. Sua dança afagafa-lhes o espírito ferido pelo deserto e como água, matava a sede de beleza, que há muito nenhum dele podia ver.
Dos quadris nasciam movimentos fluidos e vivos, por alto, por baixo, sempre cadenciados com o toque do instrumento levando-os a um delírio maior e mais profundo. Não havia toque que ela não interpretasse, não havia corações que ela não tomasse.
Era disso que vivia. De olhares, de paixão, de promessas que nunca aceitaria.
Eles a chamavam de cigana vermelha, e ela apenas sorria. Seria o que eles quisessem até que o sol nascesse. Eram seus, todos seus enquanto lá estivesse. Tãos seus que ela podia senti-los dentro do peito como o sangue que corria rápido pelas veias.
E quando o horrizonte começava a despontar, ela acelerava e dava-lhes seus últimos desenhos, seus sorrisos mais brilhantes e jogava-lhes um perfume mais doce, para depois desaparecer aos poucos nas areias levando seus véus, partindo para uma próxima noite enluarada.
Deixando-os eternamente enamorados.

Era livre e eterna enquanto existisse o ritmo.
Enquanto existisse a noite e a solidão dos homens...






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